
O revés sofrido no primeiro turno desse último domingo (4) para Tarcísio de Freitas (Republicanos) no estado de São Paulo marcou a quarta derrota consecutiva de Fernando Haddad (PT) em disputas majoritárias, abrindo espaço para indagações sobre a viabilidade de seu capital político de longo prazo, inclusive como potencial herdeiro da liderança de Luiz Inácio Lula da Silva para 2030. As informações são do UOL.
Embora seja amplamente reconhecido como um dos nomes de maior peso do Partido dos Trabalhadores no cenário paulista, com único êxito eleitoral registrado na prefeitura da capital em 2012, o ex-ministro acumulou reveses desde então, incluindo as derrotas na tentativa de reeleição municipal em 2016, na corrida presidencial de 2018 e no pleito estadual de 2022.
O horizonte político imediato do petista permanece atrelado aos desdobramentos da disputa presidencial nacional. Caso a campanha de Lula não obtenha êxito no segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL), o destino mais cogitado é a retomada das atividades acadêmicas como docente de ciência política na Universidade de São Paulo (USP). Em contrapartida, a manutenção do grupo no poder abriria caminho para seu retorno a Brasília em uma pasta ministerial, mantendo-se no páreo pela sucessão partidária.
Apesar da sequência negativa, analistas ponderam que o revés não anula sua relevância estratégica. Conforme avalia o cientista político Marco Antonio Teixeira, da FGV-SP (Fundação Getulio Vargas de São Paulo):
"A derrota não muda a situação de Haddad. Ele entrou na disputa sem expectativa de vitória, mas cumpriu seu papel e, na minha avaliação, permanece como principal herdeiro de Lula e como a liderança petista com maior capital eleitoral e social para além da bolha do PT".
Ao longo de 48 dias de campanha, Haddad percorreu o território paulista em dezenas de atos e entrevistas, estruturando propostas voltadas à educação, saúde, economia e segurança pública. Contudo, a relutância inicial do ex-prefeito em encabeçar a chapa cedeu lugar à disciplina partidária para assegurar palanque ao presidente no estado mais populoso do país.
Limitado pela falta de fatos novos, o candidato focou suas críticas em pautas já recorrentes, a exemplo da privatização da Sabesp e das concessões ferroviárias. A estratégia, no entanto, esvaziou-se diante do isolamento político nas ruas: figuras de peso e candidatas com forte apelo de votos, como Tabata Amaral (PSB), Erika Hilton (PSOL) e Luna Zaratini (PT), além do parceiro de chapa Márcio França e aliados históricos como Eduardo Suplicy, optaram por distanciar-se das agendas de campanha.
Estagnado nas pesquisas, Haddad acabou por desempenhar o papel de principal cabo eleitoral de Lula, embora a concorrida agenda nacional do presidente tenha lhe reservado apenas dois encontros conjuntos de pedido de votos ao longo de todo o primeiro turno.