
Em campanha no estado de São Paulo nessa última terça-feira (7), ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e de demais aliados, o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) qualificou o debate em torno do encerramento do regime de trabalho 6x1 como uma manobra eleitoreira destinada a favorecer a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As informações são do UOL.
"Lula, em quatro anos de governo, não faz. Agora, no meio do segundo turno, ele vem de uma forma oportunista querer fazer um movimento, achando que isso vai dar voto para ele. Eu tenho certeza de que o trabalhador brasileiro quer muito mais do que isso", pontuou o candidato do PL.
Ao longo de toda a disputa pelo Planalto, o parlamentar tem evitado declarar de forma direta se apoia ou rejeita a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir a jornada semanal de 44 horas com seis dias laborais e apenas um de descanso. O texto legislativo, validado no Congresso em maio, propõe a transição para 40 horas semanais com dois dias de folga, estipulando um intervalo de um ano para a adaptação total das empresas (reduzindo inicialmente para 42 horas no primeiro semestre e concluindo o corte nas duas horas restantes no período subsequente).
A matéria desembarcou no plenário do Senado na terça. Questionado pela imprensa, o chefe da Casa Legislativa, Davi Alcolumbre, assegurou que o rito regimental será cumprido estritamente, sem qualquer atropelo na tramitação.
Ainda que o postulante evite posicionamento explícito sobre o encurtamento da jornada, sua plataforma oficial de governo aposta na desregulamentação das relações de emprego, priorizando acordos diretos entre empregados e empregadores em detrimento de imposições legais rígidas.
"Vamos também dar mais liberdade a quem trabalha, com jornada flexível que caiba na vida de mães, jovens e de quem tem mais dificuldade de entrar no mercado. Por isso defendemos o negociado sobre o legislado, ou seja, permitir que trabalhador e empresa combinem diretamente as condições de trabalho que funcionam para os dois, dentro da lei, em vez de seguir uma regra única imposta a todos", detalha a diretriz programática de Flávio Bolsonaro.
Em contrapartida, o atual mandatário retrucou afirmando que seu oponente precisará assumir um lado na votação senatorial: "Na hora em que o Senado começar a votar, a máscara vai começar a cair."
Durante agenda oficial em Goiás, onde obteve o apoio do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) para o segundo estágio do pleito, Flávio Bolsonaro também projetou a possibilidade de reformular a Carta Magna brasileira, amparando-se na consolidação de uma maioria direitista nas duas Casas legislativas.
"O Brasil já me deu um Congresso muito mais à direita do que já é hoje. Com maioria no Senado para eleger o presidente do Senado. Com maioria na Câmara para eleger o presidente da Câmara. Para que possamos mudar a Constituição. Para que possamos redemocratizar este país", declarou.
Nas eleições do primeiro turno, a legenda liberal assegurou sua expressiva bancada histórica no Legislativo federal, emplacando 121 deputados federais e 19 novos senadores, alcançando um total de 28 assentos na Alta Casa do Parlamento.