
A deputada federal reeleita Erika Hilton (Psol-SP) apontou falhas estratégicas na comunicação da campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) frente à repercussão do caso Master. Em sabatina concedida à GloboNews na terça-feira (6), a parlamentar argumentou que o grupo governista falhou ao não decodificar os fatos para o público geral, mantendo as denúncias restritas aos círculos da capital e aos entusiastas da política.
"A gente viu que nem os escândalos do caso Master foram capazes de frear não só a ascensão do Flávio Bolsonaro, mas de senadores e deputados ligado ao caso Master. Eu acho que falta, e agora, nesse 2º turno, vai ser preciso que a gente entre com bastante força nas ruas e nas redes", declarou a congressista.
“Como é que bateu ao eleitor o caso Master? Como é que fora da bolha que nós estamos conversando? Porque é muito fácil falar com quem tá acompanhando o Estúdio I, falar com os nossos colegas de partido, com os nossos colegas do Parlamento, mas agora, como é que nós traduzimos isso para as pessoas que estão lá fora?”, questionou.
A deputada enfatizou a urgência de evidenciar as divergências programáticas e éticas entre os postulantes ao Planalto: “Eu acho que faltou um pouco esse termômetro de percepção e como é que nós conseguimos fazer com que essa tradução chegasse, de fato, nesse eleitor e mostrasse: ‘Olha, desse lado nós temos essas propostas, nós temos isso aqui, e do outro lado nós temos essa figura que tá envolvido não só com o caso Master, mas uma série de outros escândalos de corrupção, milícia’”.
O cenário eleitoral do segundo turno, marcado para 25 de outubro, traz Flávio Bolsonaro (PL) na liderança da corrida presidencial após encerrar a etapa inicial com 47,03% dos votos válidos, superando os 45,16% obtidos por Lula. O avanço do candidato opositor ocorre em meio às revelações trazidas por investigações e reportagens do Intercept Brasil, que destrincham as articulações financeiras em torno da produção do longa-metragem Dark Horse, focado na trajetória política de Jair Bolsonaro (PL).
Documentos e registros de conversas indicam pactuações de quase US$ 24 milhões com Daniel Vorcaro, executivo principal do Banco Master, para viabilizar o projeto cinematográfico.
Cerca de US$ 10,6 milhões (equivalente a R$ 61 milhões) transitaram entre fevereiro e maio de 2025 para o fundo norte-americano Havengate Development Fund LP, associado a Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro (PL).
Após recuar inicialmente das ligações com o banqueiro, o senador acabou por admitir o contato, justificando um encontro pessoal em São Paulo no final de 2025 (logo após a primeira detenção de Vorcaro) como uma tentativa de estabelecer um “ponto final” em sua associação com o investidor do filme.
Adicionalmente, a mira da Polícia Federal recai sobre emissões de notas fiscais emitidas em abril de 2025 pelo escritório advocatício de Flávio, que somavam R$ 1,5 milhão em consultorias jurídicas direcionadas a empresas ligadas a Vorcaro. Enquanto a defesa nega vantagens ilícitas e sustenta que os aportes financeirizaram unicamente a película, as autoridades apuram se frações das quantias repassadas foram desviadas para custear despesas de Eduardo Bolsonaro em território norte-americano.