‘Paredes sujas de fezes e sangue’, Débora do Batom detalha dias na prisão após ir para o regime semiaberto

Conforme o relato da ex-detenta, o período inicial foi assolado por crises severas de insônia e incômodos estomacais intensos

08/10/2026 às 11h22
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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Reprodução: Redes Sociais
Reprodução: Redes Sociais

Famosa nacionalmente pelo apelido de “Débora do Batom”, Débora Rodrigues abriu o jogo sobre os momentos de angústia vividos logo após sua captura devido aos desdobramentos dos atos de vandalismo de 8 de janeiro de 2023. Em conversa concedida à TV Oeste logo após recuperar a liberdade provisória, a cabeleireira originária da Bahia detalhou que foi conduzida por um agente da lei rumo ao município paulista de Piracicaba, sendo posteriormente transferida para um estabelecimento prisional em Mogi Guaçu, onde passou aproximadamente sete dias.

Conforme o relato da ex-detenta, o período inicial foi assolado por crises severas de insônia e incômodos estomacais intensos. Ela descreveu que adotou uma postura inusitada para conseguir repousar: “A minha posição preferida, como começou a me dar dor de estômago, era ajoelhada. Ajoelhada ao lado da cama, e eu fiquei assim por horas, até adormecer ajoelhada mesmo”. Débora também apontou a insalubridade do cárcere, afirmando que o recinto encontrava-se isolado, desprovido de luz natural e com as divisórias internas “bastante sujas de fezes e sangue”, além de relatar rejeição à alimentação oferecida: “Eu fiquei com isso, passando frio, não conseguia comer, comida da cadeia”.

Outros pontos de tensão destacados envolveram o protocolo de recepção na penitenciária, momento em que passou por averiguações vexatórias por parte das guardas, agravadas pelo fato de estar no período menstrual. A cabeleireira também expressou revolta ao mencionar o kit de itens de higiene e o cobertor disponibilizados, os quais estavam encharcados: “Eu achei que era alguma goteira”, comentou, complementando ter descoberto posteriormente que o líquido impróprio tratava-se de urina, o que a impediu de se aquecer durante as noites frias.

Nascida no interior baiano, Débora foi alvo de mandado preventivo em março de 2023 no escopo da Operação Lesa Pátria, culminando em uma condenação de 14 anos de reclusão estipulada pela prática de cinco infrações penais associadas aos protestos radicais, tais como associação criminosa armada, abolição violenta da ordem democrática, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado e destruição de bens tombados.

Beneficiada por uma prisão domiciliar concedida em março de 2025, a cabeleireira obteve recentemente aval do ministro Alexandre de Moraes para migrar ao regime semiaberto, amparada por parecer positivo emitido pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Apesar do avanço na execução penal, ela continua cumprindo a pena em sua residência, visto que o formato domiciliar é juridicamente classificado como mais brando.

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