A Meta, conglomerado de tecnologia responsável pelo Instagram e Facebook, enviou na segunda-feira (12) uma manifestação oficial ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A petição atende à ordem do ministro Marco Aurélio Bellizze, que concedeu 48 horas para que a empresa esclarecesse a atuação de uma rede de 255 perfis automatizados na plataforma e respondesse às queixas da coligação do candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A representação petista alegou que sucessivas instabilidades do sistema vinham prejudicando de modo desproporcional o engajamento digital da candidatura. As informações são do Metrópoles.
Em sua defesa, a empresa rejeitou com veemência as acusações de manipulação ou direcionamento algorítmico em favor de adversários. “O Facebook Brasil repudia categoricamente tal premissa. A afirmação é falsa, não está demonstrada e não resiste ao confronto com os fatos e com os dados objetivos adiante apresentados — razão pela qual não poderia ficar relegada a um tópico posterior: dela depende a correta leitura de todos os esclarecimentos técnicos que se seguem”, sustentou o grupo.
A big tech destacou ainda que queixas semelhantes costumam partir de grupos políticos opostos. “Vale dizer: a mesma narrativa de favorecimento do adversário é invocada, simultaneamente, pelos dois polos da disputa — o que apenas confirma que se está diante de impressão subjetiva difusa, e não de conduta direcionada”, pontuou a defesa.
Defendendo a neutralidade de suas ferramentas, a Meta frisou: “A isonomia eleitoral assegura regras uniformes de acesso e tratamento, não equivalência artificial de resultados. O que a inicial efetivamente postula — promoção artificial do alcance de um campo político — é precisamente o que romperia a isonomia que diz pretender restaurar, e o que a disciplina eleitoral veda”.
Além dos esclarecimentos, a determinação do ministro Bellizze estabeleceu que a plataforma preserve todos os registros técnicos pertinentes às ações de moderação, veiculação de anúncios e entregabilidade de publicações.
Ao abordar a queda nas métricas registradas em postagens do candidato, a companhia esclareceu que o problema decorreu de uma falha operacional de alcance global, sem qualquer vínculo com a dinâmica política brasileira.
Segundo o relatório, o evento afetou os sistemas responsáveis por contabilizar visualizações dos Reels entre 15h50 e 20h49 do dia 7 de outubro. Embora os vídeos tenham sido entregues aos usuários normalmente, a contagem pública permaneceu zerada ou congelada no período, afetando criadores em mais de uma centena de países.
“O episódio de 7 de outubro decorreu de falha global e transitória restrita à exibição do contador de visualizações, sem impacto na distribuição de conteúdos; que a distribuição da conta oficial do candidato da Representante, naquela data, esteve substancialmente acima de sua própria linha de base recente; e que não há qualquer evidência tecnicamente verificável de seletividade ou manipulação para favorecer ou prejudicar campanhas”, concluiu a empresa no documento.