O Brasil registrou, em 2025, o menor índice de trabalho infantil desde 2016, primeiro ano da série histórica utilizada para acompanhar esse indicador. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, a PNAD Contínua.
O levantamento identificou aproximadamente 1,5 milhão de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos em situação de trabalho infantil. O contingente representa 4% da população dessa faixa etária no país, segundo os números apresentados pelo instituto.
A pesquisa também apontou uma redução expressiva entre crianças e adolescentes que vivem em domicílios beneficiários do Bolsa Família. Em 2016, 7,3% desse grupo estavam em situação de trabalho infantil. Em 2025, o percentual caiu para 4,4%, aproximando-se do índice registrado no conjunto da população.
Outro dado destacado pelo levantamento é que a redução entre beneficiários do programa assistencial respondeu por mais de 95% da queda total do contingente de trabalhadores infantis entre 2024 e 2025. O resultado mostra a dimensão dessa mudança no período, embora, isoladamente, não permita atribuir toda a evolução a uma única política pública.
Apesar do avanço, os números ainda revelam desafios para a proteção da infância. Em 2025, 97,5% das pessoas de 5 a 17 anos frequentavam a escola, enquanto a proporção entre aquelas submetidas ao trabalho infantil era de 86,9%. A diferença reforça a importância de acompanhar tanto a permanência escolar quanto as condições sociais que levam crianças e adolescentes ao trabalho precoce.