Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara dos Deputados, e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente do Senado, teriam costurado um entendimento político com Lula para tentar manter o comando das duas Casas legislativas. A avaliação foi apresentada pelos jornalistas José Roberto de Toledo e Thais Bilenky em análise publicada pelo UOL nesta sexta-feira (16).
Segundo os comentaristas, a articulação faz parte de uma estratégia do Centrão para preservar sua influência no Congresso na próxima legislatura. O bloco reúne partidos como União Brasil, Republicanos, PP, MDB e PSD e deve contar com 209 deputados, número que favorece negociações com diferentes campos políticos.
A análise aponta que as articulações sobre a presidência da Câmara e do Senado estão conectadas à negociação de projetos e à construção de maiorias parlamentares. Entre os exemplos citados estão propostas relacionadas ao teto de faturamento dos microempreendedores individuais e à tramitação de matérias defendidas pelo governo.
No Senado, Alcolumbre teria calculado os riscos de permanecer associado a uma eventual administração de Flávio Bolsonaro. Segundo a análise, o avanço de uma composição política favorável a Lula poderia ampliar suas chances de conservar o comando da Casa, enquanto uma mudança na relação de forças poderia ameaçar seus planos.
Outro episódio citado para ilustrar a aproximação ocorreu na manhã desta sexta-feira, quando Alcolumbre encontrou o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, no Congresso. Ao vê-lo, o presidente do Senado perguntou: “Cadê meu presidente?”, em referência a Lula, que era esperado para participar de uma cerimônia.
A avaliação publicada pelo UOL representa uma leitura dos bastidores e das negociações políticas. A permanência de Motta e Alcolumbre depende de articulações entre partidos e das votações internas previstas para a próxima legislatura.