A apuração exclusiva da jornalista Fábia Oliveira revelou que o Poder Judiciário proferiu sentença condenatória contra Samuel Sant'Anna, o Gato Preto, e a influenciadora Bia Miranda em uma demanda de reparação cível. O caso originou-se de um acidente de trânsito provocado pelo produtor de conteúdo. As vítimas, Edilson Maiorano, Ivan Bartalot Pereira Maiorano e Debora Bartalot Pereira moveram a representação judicial contra a dupla em 2025.
Em agosto daquele período, o influenciador dirigia um automóvel da marca Porsche em velocidade acima do permitido e sob o efeito de substâncias tóxicas e alcoólicas. A colisão atingiu o automóvel onde viajavam dois dos requerentes. Pai e filho, Edilson e Ivan sofreram lesões corporais, enquanto os acusados fugiram do endereço sem oferecer auxílio aos feridos. Paralelamente, Bia Miranda gravou o ocorrido e compartilhou as imagens em suas plataformas digitais, apelidando Edilson de “senhorzinho” e classificando o veículo atingido como “lixo”.
No dia 16 de setembro, o processo recebeu decisão em primeira instância. O magistrado Gustavo Coube de Carvalho destacou a comprovação da responsabilidade de Gato Preto na ocorrência, tendo em vista que os exames laboratoriais apontaram a presença de álcool etílico, MDA e THC em sua amostra urinária. Em desdobramento criminal, o Ministério Público do Estado de São Paulo ofereceu denúncia contra o influenciador por dupla tentativa de homicídio na modalidade de dolo eventual.
Na esfera financeira, o juiz rejeitou o ressarcimento de um pacote de desembolsos cujos recibos não constavam nos autos, referentes a custos de medicamentos e tarifas de estacionamento em unidades de saúde. O pleito de indenização pelos danos no veículo acidentado foi do mesmo modo indeferido. Gustavo Coube assinalou que o ressarcimento patrimonial já fora coberto pela empresa seguradora, que repassou aos afetados uma quantia superior a R$ 50 mil.
Por outro lado, o juiz julgou procedente o direito à compensação por danos morais para Ivan e Edilson. Ele ressaltou que o rapaz teve escoriações e fratura que exigiram longo tratamento clínico, além de perturbações documentadas em sua saúde mental.
A sentença sublinhou ainda que Edilson enfrentou a dor de ver o filho retido pelo mecanismo de airbag e lesionado, enquanto Gato Preto omitia assistência. A vítima também acabou sendo alvo de intimidações verbais do influenciador no local da batida. O pedido de compensação financeira formulado em nome de Débora, por sua vez, acabou sendo julgado improcedente.