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Aliados de Flávio criticam fala de assessora econômica sobre Bolsa Família
Declaração de Daniella Marques sobre transição de dois anos para beneficiários provocou preocupação nos bastidores do PL, especialmente por ocorrer no mesmo dia em que o governo Lula antecipou os pagamentos do programa
19/10/2026 17h57
Por: Mateus Pereira
Foto: redes sociais

Uma declaração de Daniella Marques, coordenadora do núcleo econômico da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), provocou incômodo entre aliados do senador na reta final da disputa presidencial. Segundo informações publicadas pelo Metrópoles nesta segunda-feira (19), integrantes da campanha criticaram, nos bastidores, o momento escolhido pela economista para apresentar detalhes da proposta relacionada ao Bolsa Família.

Em entrevista à rádio CBN Bahia, Daniella afirmou que um eventual governo de Flávio implementaria uma regra de transição de dois anos para beneficiários que conseguissem emprego com carteira assinada ou decidissem abrir um negócio próprio. A proposta também prevê a possibilidade de retorno ao programa caso a tentativa de inserção no mercado de trabalho não dê certo.

“Quem está no Bolsa Família vai ter regra de transição, como teve na época do presidente Bolsonaro, de dois anos para que possa abrir o seu negócio ou aceitar um emprego de carteira assinada. Com uma regra de transição por dois anos e o retorno automático caso dê errado. As pessoas não podem ficar presas para sempre no Bolsa Família. Aquilo é uma proteção, mas é um início de uma jornada”, declarou a coordenadora.

A fala, entretanto, foi recebida com preocupação por aliados do candidato do PL. A entrevista aconteceu no mesmo dia em que o governo federal anunciou a antecipação do calendário de pagamentos do Bolsa Família para que todos os beneficiários recebessem até quarta-feira (21), antes do segundo turno, marcado para domingo (25). O benefício mínimo foi reajustado para R$ 691, segundo o levantamento publicado pelo Metrópoles.

Nos bastidores, a avaliação de integrantes da campanha é que o assunto poderia gerar desgaste eleitoral em um momento delicado da disputa, especialmente entre eleitores que dependem do programa social. “Ela não precisa dizer o que está dizendo agora”, afirmou um aliado de Flávio, sob reserva, à coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles. A crítica foi direcionada principalmente ao momento da declaração, e não necessariamente à ideia de facilitar a entrada dos beneficiários no mercado de trabalho.

➡️ Aliados de Flávio criticam fala de assessora econômica sobre Bolsa Família Leia na coluna de @igorgadelham https://t.co/1tT8iz8jOe

— Metrópoles (@Metropoles) October 19, 2026

Pessoas próximas a Daniella minimizaram a repercussão e argumentaram que a economista deixou claro que o modelo prevê uma transição e a possibilidade de retorno automático ao programa caso o beneficiário não consiga se manter na atividade profissional. A proposta, contudo, ainda depende de detalhamento sobre as condições de acesso, os valores pagos durante a transição e os critérios para o retorno ao benefício.

Atualmente, o Bolsa Família já possui uma Regra de Proteção para famílias cuja renda aumenta após a conquista de uma oportunidade de trabalho. Pelas regras descritas pelo Metrópoles, famílias que atendem aos critérios podem continuar recebendo 50% do benefício por até 18 meses, desde que a renda mensal por pessoa não ultrapasse R$ 706. A proposta apresentada pela campanha de Flávio ampliaria o período de transição para dois anos, mas os detalhes sobre sua implementação ainda precisam ser esclarecidos.