Após aproximadamente um ano sem novidades em sua página, Felca retornou com uma nova publicação nesta terça-feira (20), na qual compartilhou um depoimento sobre transtorno de ansiedade social e os impactos dessa condição em sua trajetória. "Eu tenho fobia social. Esse é meu laudo. Esse é o vídeo mais sincero e mais difícil que eu já fiz", iniciou.
O produtor de conteúdo revelou que começou a sofrer intimidações aos 12 anos e relembrou episódios de violência física, constrangimentos e exclusão no ambiente educacional. De acordo com o youtuber, essa vivência comprometeu sua convivência interpessoal e o levou a abandonar o plano de cursar o ensino superior por conta do receio de encarar a dinâmica de uma sala de aula.
Dentre os episódios citados, Felca lembrou do momento em que colegas fixaram etiquetas em sua roupa durante o período letivo e, em seguida, o transportaram contra a vontade pelos corredores do colégio incentivando o deboche geral. Ele relatou que se refugiou no banheiro após a humilhação.
O influenciador também abordou a presença de ideações suicídas na adolescência, explicando que considerava o fim da vida como o único meio de cessar o tormento gerado pelos abusos diários. Tempos depois, declarou encarar aquela fase sob nova perspectiva, valorizando os momentos que pôde vivenciar por ter perseverado.
Felca confessou que passou a fazer uso de bebidas alcoólicas como muleta para conseguir abandonar o isolamento doméstico, frequentar compromissos e encarar a convivência social. "Sempre que eu precisava sair, eu levava esse cantil aqui. Eu bebia três doses em casa, mais ou menos, enchia esse cantil de vodca e ia bebendo conforme eu sentia que ainda não conseguia", relatou.
"Eu não gosto de álcool, sendo sincero. (...) Eu nunca bebi quando eu tava sozinho, confortável. Eu bebia só para enfrentar pessoas. Quando eu passei a ir em programa toda semana, evento, collab, parceria, eu me vi alcoólatra", afirmou.
Felca pontuou que uma das ocorrências mais sérias sucedeu durante a produção do conteúdo "Testei o body splash da Virgínia", quando planejava abordar populares em um centro comercial. Conforme relatou, ao não encontrar forças para as interações, recorreu ao álcool e consumiu doses ao longo de toda a gravação.
Ao retornar ao lar, o jovem declarou ter perdido a consciência e desabado no banheiro. No dia seguinte, buscou auxílio profissional com o suporte familiar e recebeu a confirmação de duas fraturas nas costelas. Conforme seu depoimento, permaneceu dois meses sob medicação analgésica forte para restabelecimento físico.
Ainda que tenha passado a integrar atração em emissoras, compromissos e gravações externas, ele ressaltou que a angústia permanece. Em um registro captado nos bastidores de uma produção, demonstrou que sua frequência cardíaca oscilava entre 138, 140 e 150 batimentos por minuto enquanto mantinha contato social. "Por mais que eu consiga enfrentar, por mais que eu consiga ir para as coisas, internamente eu estou com 138, 140, 150 batimentos por minuto", explicou.
Buscando transformar seus hábitos, o criador anunciou um compromisso pessoal de 90 dias no qual pretende aceitar convites, interagir com pessoas e vivenciar contextos que costumava esquivar. Ele revelou ter permanecido quase meio ano praticamente sem cruzar a porta de casa e pretende expor esse processo em suas mídias virtuais.
O jovem comunicou também a retomada do projeto "Sofá do Felca", formato em que recebia convidados em sua residência. Conforme explicou, a iniciativa partiu justamente do desejo de construir conexões e ganhará uma nova temporada.
Por fim, Felca expressou a intenção de levar sua história a instituições de ensino por meio de palestras gratuitas voltadas à prevenção do assédio escolar. "Eu decidi dar palestras pro máximo de escola que eu puder sobre bullying, contando o que eu vivi, o dano real do bullying e tentar confortar as crianças que estão sofrendo nesse momento", declarou.