Notícias Política
Mendonça será relator de pedido de Lula para abrir o próprio sigilo e de Flávio
A provocação judicial formalizada na corte eleitoral decorre diretamente do embate travado no confronto promovido pela Band no último domingo (18)
21/10/2026 11h45
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Reprodução: Victor Piemonte/STF

O magistrado André Mendonça, vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), assumiu, mediante sorteio, a condução do requerimento apresentado pela coligação de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que condiciona a divulgação de suas informações fiscais à reciprocidade por parte de seu oponente, Flávio Bolsonaro (PL).

A provocação judicial formalizada na corte eleitoral decorre diretamente do embate travado no confronto promovido pela Band no último domingo (18). Na ocasião, o representante petista prontificou-se a revelar seus registros econômicos e os de seus familiares, abrangendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, exigindo postura idêntica do rival liberal.

Nas primeiras horas de terça-feira (20), a assessoria jurídica do chefe do Executivo protocolou duas petições paralelas, uma perante o TSE e outra dirigida ao Supremo Tribunal Federal (STF), chancelando a exposição de seus dados econômico-financeiros pela equipe legal. A definição do relator na Suprema Corte permanece pendente.

Pronunciamento e Provocação

Durante declaração pública transmitida na manhã de ontem (20), o presidente reiterou o desafio e confirmou a disposição de franquear seus sigilos bancários, fiscais e de comunicações, estendendo a medida aos seus entes próximos.

"Os advogados estão em Brasília, vão autorizar a abertura de sigilo meu, meus filhos e da Janja. Eu estou disposto para que a sociedade brasileira saiba quem é ladrão. Quero saber se ele [Flávio] tem coragem [de fazer o mesmo]. Meus advogados estão entrando [com a petição], exigindo que ele faça o mesmo", desafiou Lula, candidato à reeleição à Presidência.

O defensor da campanha, Angelo Ferraro, esclareceu à imprensa que os documentos para autorização do acesso já foram remetidos aos presidentes do TSE, Kassio Nunes Marques, e do STF, Edson Fachin.

A petição abrange a disponibilização do histórico de Lula referente aos últimos oito anos, além de abarcar a primeira-dama, Rosângela Lula da Silva (Janja), e seus cinco filhos: Lurian Cordeiro, Marcos Cláudio, Fábio Luís, Sandro Luís e Luís Claudio.

Condição Imposta ao Clã Bolsonaro

A liberação dos arquivos do mandatário permanece subordinada à exigência de que Flávio Bolsonaro adote conduta simétrica, liberando as mesmas devassas sobre seus próprios dados, os da esposa, Fernanda Bolsonaro, os dos genitores, Jair Bolsonaro e Rogéria Bolsonaro, além dos irmãos Carlos, Eduardo e Jair Renan Bolsonaro.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) acabou excluída da solicitação por não guardar vínculo de parentesco direto com o senador.

"A divulgação pública dos dados bancários, fiscais e telefônicos dos dois candidatos, anterior à próxima quarta-feira (21.10.2026), é fundamental para que a população brasileira seja devidamente informada e possa decidir livremente em quem vai votar", pede a campanha de Lula em petição enviada ao TSE.

Foco em Pessoas Jurídicas e Empresas

O requerimento estende a devassa às movimentações fiscais de ao menos cinco empreendimentos em que Flávio detém participação societária, citando expressamente a Alcazar Holdings, sediada no arquipélago da Madeira (Portugal) e formalmente vinculada ao advogado, Willer Tomaz.

Investigações da Polícia Federal, repercutidas pelo UOL, apontam troca de correspondências eletrônicas indicando que o candidato do PL compartilharia a gestão de uma conta no banco Santander com Tomaz, figurando com perfil de "usuário master". Ambos rejeitam a acusação.

Do lado petista, o documento cita a empresa LILS, criada em 2011 para a gestão de palestras do presidente, sublinhando contudo sua condição de acionista sem atribuições administrativas.

O movimento tático de Lula na reta final ocorre em reação às acusações disparadas por Flávio, que atribuiu atos de corrupção à gestão federal e a Fábio Luís, o Lulinha. Durante o debate, a abdicação dos sigilos foi apresentada pelo petista como o mecanismo definitivo para expor quem de fato "é ladrão".