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Macron ataca Trump após presidente dos EUA citar protestos franceses em discurso: “Campanha às custas da França”
Líder francês acusou autoridades estrangeiras de explorar as manifestações; Benjamin Netanyahu também foi citado no debate sobre imigração e segurança
21/10/2026 12h35
Por: Mateus Pereira Fonte: Metrópoles
Foto: Nathan Laine/Bloomberg

O presidente da França, Emmanuel Macron, criticou nesta quarta-feira (21) líderes estrangeiros que, segundo ele, estariam explorando politicamente os protestos realizados em território francês. Segundo o Metrópoles, a declaração foi feita durante uma viagem oficial ao Oriente Médio e ocorreu depois de Donald Trump associar as manifestações a questões relacionadas à imigração.

Macron afirmou que algumas autoridades estariam utilizando os acontecimentos franceses para fazer campanha em seus próprios países. Sem apontar apenas um governante como responsável, o presidente mencionou Trump e outros líderes ao condenar a forma como os protestos vinham sendo apresentados no debate político internacional.

“Há pessoas que estão fazendo campanha às custas da França”, declarou Macron a jornalistas. O presidente também afirmou não identificar interferência estrangeira direta nos acontecimentos, mas criticou o que classificou como manipulação de informações sobre a situação francesa.

O chanceler francês, Jean-Noël Barrot, reforçou as críticas e pediu mais moderação, respeito e solidariedade na discussão pública. A reação das autoridades francesas ocorreu em meio às declarações de Trump, que relacionou os protestos à imigração e chegou a defender o fechamento das fronteiras francesas.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, também foi citado por comentários sobre a crise francesa. Netanyahu relacionou os protestos ao que chamou de avanço do islamismo extremista, ampliando o debate sobre imigração, religião e segurança em meio à instabilidade política.

As manifestações tiveram início em setembro, em meio a insatisfações envolvendo o sistema educacional, e depois se ampliaram. Segundo o levantamento citado pelo Metrópoles, os atos mobilizaram mais de 500 mil pessoas. Os episódios passaram a ser discutidos também fora da França, com interpretações distintas sobre suas causas e consequências.

O pronunciamento de Macron evidencia o desconforto do governo francês com a utilização do cenário doméstico por lideranças internacionais em suas próprias disputas políticas. A declaração, porém, não significa que o presidente tenha atribuído a Trump responsabilidade direta pela organização dos protestos.