Notícias Gospel em luto
Considerada uma das pioneiras da música gospel, Sara Araújo morre aos 80 anos
Cantora gravou cerca de 40 discos, dedicou 65 anos à Assembleia de Deus e também ficou conhecida pelo trabalho social com crianças em situação de vulnerabilidade
26/10/2026 19h11
Por: Mateus Pereira
Foto: redes sociais

A música gospel brasileira perdeu uma de suas representantes históricas no último sábado (24). A cantora, compositora e missionária Sara Araújo morreu aos 80 anos, em Goiânia, após apresentar complicações de saúde decorrentes de uma cirurgia de emergência. A informação foi confirmada pelo perfil oficial da artista no Instagram.

Sara estava internada em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) depois de passar por um procedimento para tratar uma hérnia. Segundo as informações publicadas pelo UOL e pelo Metrópoles, ela foi submetida à cirurgia na sexta-feira (23) e morreu no dia seguinte. As causas exatas da morte ainda seriam apuradas. O velório ocorreu no domingo (25), no Complexo Vale do Cerrado, em Goiânia, reunindo familiares, amigos e admiradores.

Batizada como Sara Ribeiro de Castilhos Miranda, a artista construiu uma trajetória de 65 anos dedicada à Igreja Assembleia de Deus. Ao longo da carreira, gravou aproximadamente 40 discos e atuou também como musicista, artista plástica, filantropa e missionária. Sua contribuição para a música cristã brasileira foi marcada pelo pioneirismo e pela participação em diferentes iniciativas religiosas e culturais.

Uma dissertação de mestrado de Edson Alencar Silva, apresentada à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), aponta Sara como a primeira cantora evangélica a gravar um disco solo no Brasil, em 1966. A artista também dividiu o palco com Elis Regina no programa Clube do Guri, no Rio Grande do Sul, experiência que integra os registros de sua trajetória musical.

Além da carreira artística, Sara desenvolveu um trabalho social em Uberlândia, Minas Gerais. Após adotar sua filha, a harpista Aline Araújo, ela fundou uma creche comunitária que atualmente atende cerca de 100 crianças em situação de vulnerabilidade. A iniciativa tornou-se uma das marcas de seu legado fora dos palcos e das atividades religiosas.

Aline prestou uma homenagem à mãe e destacou a influência que ela exerceu sobre diferentes gerações. “Seu legado permanecerá vivo na história da música gospel brasileira”, afirmou a harpista, em declaração reproduzida pelo UOL Splash. O Instituto Hinologia Cristã e a cantora Tangela Vieira também lamentaram a morte da artista, ressaltando sua importância para a música sacra no país.