Daniele Bezerra veio a público nessa última segunda-feira (26) para se pronunciar sobre a determinação da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional São Paulo (OAB-SP) que invalidou o afastamento cautelar do direito de advogar de sua irmã, Deolane Bezerra. Em um pronunciamento em formato de vídeo divulgado em suas redes sociais, a jurista também teceu considerações sobre a apuração que envolve a delegada Maria Aparecida Rezende Corsato, colocada sob investigação após a localização de cifras milionárias guardadas no interior de um puff entregue na residência de sua própria familiar.
Ao colocar os dois cenários em perspectiva, Daniele criticou a disparidade no tratamento concedido aos investigados perante a lei e argumentou que as prerrogativas fundamentais fixadas na Constituição devam ser asseguradas indistintamente. A profissional ressaltou não desejar que a servidora passe pelos percalços que sua família enfrentou, contudo cobrou igualdade na garantia dos direitos de Deolane.
“Eu não desejo para essa delegada aquilo que considero que fizeram conosco. Eu desejo que ela tenha todos os direitos e garantias que sempre reivindiquei para minha irmã”, declarou.
As colocações de Daniele ocorreram logo após vir à tona o inquérito focado em Maria Corsato, autoridade da Polícia Civil paulista. No último sábado (24), a irmã da servidora contatou a Polícia Militar ao encontrar maços de dinheiro escondidos em um puff que teria sido transportado pela delegada até sua casa, no município de Santo André, Grande São Paulo.
O inventário das quantias contabilizou R$ 1.246.150, US$ 120 mil e 12.675 euros, além de anotações em papel. A Corregedoria-Geral do órgão policial abriu apurações internas para verificar a procedência dos recursos e checar eventuais ilícitos penais ou disciplinares. A equipe jurídica de Maria Corsato alegou que o patrimônio decorre de um espólio familiar pendente de partilha. Os trabalhos investigativos prosseguem, lembrando que a mera localização de valores no móvel não configura, por si só, ato criminoso.
Durante o vídeo, Daniele pontuou que não estava imputando nenhuma conduta ilícita à delegada e reforçou o papel dos órgãos oficiais em elucidar a questão. Para a advogada, o episódio traz à tona a reflexão sobre o julgamento público de suspeitos e a urgência de critérios idênticos para todos.
“Eu faço questão de falar aqui para vocês que eu não estou acusando a delegada de ter cometido qualquer crime. A origem, a propriedade e a circunstância desse dinheiro, desses milhões precisam ser apuradas pelas autoridades competentes”, afirmou.
A jurista igualmente conectou suas observações à resolução do conselho da OAB-SP, que anulou a suspensão temporária do registro profissional de Deolane. O bloqueio cautelar havia sido estipulado em junho, com vigência de 90 dias, e sofreu contestação da defesa sob o argumento de vícios formais na condução do processo.
Conforme apurado pelo Metrópoles, o ato de anulação ainda necessita de trâmites internos de formalização nos cadastros da entidade. Paralelamente, Deolane segue em prisão preventiva desde 21 de maio de 2026 na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista (SP), por suposto envolvimento em esquemas de lavagem de dinheiro e organização criminosa. A decisão da OAB se restringe ao plano profissional e não altera automaticamente a custódia no âmbito penal.
Em sua fala, Daniele frisou que o reconhecimento tardio de uma ilegalidade, após o impacto já consumado na vida do indivíduo, não apaga o desgaste vivenciado. Questionou, ainda, a extensão da batalha familiar para que os preceitos legais da irmã sejam atendidos.
“A justiça tardia pode até reconhecer um erro, mas nem sempre consegue reparar a dor que ele causou”, declarou.
Para fechar a transmissão, a advogada reiterou que sua demanda não busca privilégios jurídicos para Deolane, mas sim a estrita aplicação da igualdade processual prevista em lei.
“Porque a presunção de inocência vale para a delegada Corsato, sim. Mas por que não vale para a Deolane? A justiça, ela não pode escolher quem merece ter direitos. Ou ela é para todos, ou ela deixa de ser justiça”, concluiu.