Belo refletiu abertamente sobre a fase em que esteve preso e compartilhou como sua atuação na teledramaturgia tem colaborado para ressignificar a própria história. Na atualidade, o pagodeiro encarna um agente da lei em dois seriados, vivência que adquiriu um sentido singular em virtude de seus percalços pessoais.
Em depoimento concedido à revista Quem, o artista pontuou que o amadurecimento revelou-se determinante para absorver os momentos mais complexos de sua jornada, sobretudo os de ampla exposição na mídia. “Acho que a maior lição foi entender que a gente não pode mudar o passado, mas pode escolher o que fazer com ele. Eu já vivi muita coisa, momentos maravilhosos e outros muito difíceis, que todo mundo conhece”, declarou.
O músico foi preso no ano de 2002, sob a acusação de ligação com o narcotráfico, deixando a cadeia em 2007. Passados mais de vinte anos do episódio, ele dá vida ao inspetor Silvio, apelidado de Paulista, nas atrações Verônika com K e Arcanjo Renegado. Na trama, o personagem figura como um investigador veterano, com três décadas de atuação no enfrentamento ao crime organizado junto à Delegacia de Combate às Drogas.
Para o cantor, assumir a posição oposta no plano fictício motivou questionamentos sobre seus rumos e a capacidade de reconstrução. “Interpretar um policial, depois de tudo que vivi, tem um significado muito especial. A vida tem dessas coisas, né? O importante é não deixar que os erros ou as dificuldades sejam maiores do que aquilo que você ainda pode construir”, afirmou.
O artista salientou ainda que, com o decorrer do tempo, conseguiu libertar-se da carga emotiva atrelada aos eventos passados. “A maturidade me ensinou a olhar para trás sem carregar o mesmo peso de antes. Hoje consigo transformar muitas dessas experiências em aprendizado”, acrescentou.