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Briga judicial entre Ana Castela e investidor expõe bastidores milionários e disputa por direitos da carreira
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14/05/2025 12h26
Por: Michelasi

Na última terça-feira (13), uma audiência tensa no Fórum de Londrina (PR) jogou luz sobre os bastidores de uma das carreiras mais promissoras da música sertaneja. A cantora Ana Castela e o investidor Agesner Monteiro se enfrentaram em uma batalha judicial que envolve lucros milionários, contratos rompidos e a disputa por créditos na trajetória da artista.

O processo nº 0040793-15.2023.8.16.0014, que corre em Vara Cível, tem potencial para se tornar um dos casos mais emblemáticos da indústria fonográfica brasileira. O cerne da disputa: a exclusão de Agesner, que alega ter sido o único responsável pelo investimento inicial na carreira de Ana Castela, e hoje luta para manter seus 20% de participação na sociedade da empresa Agroplay.

Participação remota e tensão no início

Antes mesmo da audiência começar, a defesa de Ana Castela pediu que a cantora participasse remotamente, alegando assédio da imprensa na porta do fórum. A juíza do caso, Dra. Kléia Bortolotti, atendeu ao pedido, permitindo que Ana e sua equipe prestassem depoimento por vídeo. o pedido de sigilo no processo foi negado.

Agesner esteve presente fisicamente, ao lado do advogado Dr. Adib Abdouni. Após a sessão, ele criticou a ausência da artista: “Ela não teve coragem de olhar nos meus olhos. Preferiu aparecer pela metade na tela. Isso diz muito.”

Contradições e acusações

Durante os depoimentos, Ana admitiu ter enviado uma notificação extrajudicial em dezembro de 2022 para romper com Agesner, além de Raphael e Rodolfo — sócios que dividiam a gestão de sua carreira. No entanto, segundo documentos apresentados por Agesner, a notificação foi feita pelo mesmo advogado que atualmente representa Raphael e Rodolfo na ação, o que levanta suspeitas de conflito de interesses.

A cantora afirmou que "surtou" na época e pensou em desistir da música, mas não chegou a parar. Também alegou que sempre foi “dona” da empresa, o que foi refutado pela defesa do investidor, que provou que o nome dela não constava no contrato social quando o rompimento aconteceu.

Agesner questiona por que apenas ele foi excluído da sociedade, sendo que Raphael e Rodolfo mantiveram seus percentuais. “Eles continuam com 50% da empresa. Mas quem colocou dinheiro de verdade fui eu. Me tiraram para dividir tudo entre eles. É fraude”, disparou.

Direitos sobre fonogramas e valores bilionários

O contrato firmado em 2021 estabelece que Agesner tem direito a 20% dos lucros até 2027, além de participação vitalícia nos fonogramas. A ausência de prestação de contas e a suposta exclusão indevida do investidor podem gerar uma indenização superior a R$ 150 milhões, segundo estimativas da defesa.

Além disso, a ação questiona a titularidade de obras musicais e gravações que geram receita até hoje. “Estamos diante de uma tentativa de apagamento. Um revisionismo da história para concentrar lucros e poder”, afirmou um advogado próximo ao caso.

Silêncio da artista

Até o momento, Ana Castela e sua assessoria de imprensa não comentaram oficialmente as declarações de Agesner Monteiro ou o conteúdo da audiência.

A decisão final da juíza Kléia Bortolotti é aguardada para as próximas semanas. Seja qual for o desfecho, o caso levanta debates sobre contratos na indústria musical, transparência na gestão de carreiras e os limites do poder por trás do sucesso.