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Ana Paula Minerato é indiciada pelo crime de racismo contra a cantora Ananda
O Ministério Público do Rio de Janeiro irá analisar se a modelo será denunciada à Justiça
22/05/2025 12h17 Atualizada há 1 ano
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Ana Paula Minerato e Ananda - Reprodução: Instagram

Nesta quinta-feira (22), a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) da Polícia Cívil do Rio de Janeiro indiciou Ana Paula Minerato pelo crime de racismo contra a cantora Ananda, do grupo Melanina Carioca, após uma queixa.

O caso foi registrado após um áudio da modelo vazar nas redes sociais, o qual se referia a artista com termos como “empregada de cabelo duro” e “neguinha”. O episódio aconteceu em novembro do ano passado e ganhou grande repercussão.

Agora cabe ao Ministério Público do Rio de Janeiro analisar se Minerato será denunciada à Justiça. Ela foi enquadrada no artigo 2º-A da Lei 7716/89, que prevê pena de 2 a 5 anos de reclusão. A delegada Rita Salim, titular da Decradi, ao concluir as investigações, afirmou que as falas de Ana Paula reforçam esteriótipos racistas.

"Considerando que, no caso em questão, as palavras e expressões utilizadas pela autora reforçam estereótipos negativos, ofensivos e ainda perpetuam desigualdades e injustiças com base nesses fatores , restaram evidenciadas as ofensas de cunho racista", destacou a delegada.

O áudio em questão dizia o seguinte: "Empregada do cabelo duro. Você gosta de cabelo duro? Não sabia que você gostava de mina com cabelo duro. Você gosta de mina com cabelo duro? Cabelo duro, você gosta? Você gosta de mina de cabelo duro, de neguinha? Você gosta de neguinha? Porque isso aí é neguinha, né. Alguém ali o pai ou a mãe veio da África”.

Em depoimento ao Decradi, a modelo assumiu a autoria do áudio mas alegou que as falas, tiradas de contexto, foram gravadas sem seu consentimento por um homem com quem se relacionava na época. Além disso, confirmou que não conhecia Ananda pessoalmente e que conversa foi editada, com ela repetindo ofensas que o homem havia proferido contra a cantora.

Após a decisão, Ananda publicou um vídeo a respeito em suas redes sociais:

"O que o que ela fez foi sério, muito sério e que não está arquivado mais. Então da última vez que eu apareci aqui falando sobre isso, a gente né, se lamentou e ficou chateado e hoje é motivo de comemoração, porque cada passo é um passo. A gente sabe que essas coisas às vezes elas podem demorar para ter o resultado que a gente quer, mas isso não quer dizer que a gente deixou de fazer alguma coisa para que algo acontecesse", disse ela, em um trecho da mensagem.

"Então, tá aí agora para todo mundo ver a sensação sensacional que foi hoje receber essa notícia de saber que algo está sendo feito, que não adianta abafar, atrasar, que o que é para chegar, vai chegar. Enquanto a gente estiver aqui, a gente vai partir para cima do problema mesmo. E agora eu espero que estejam vendo que coisas desse tipo não vai passar impune, seja quem for. Faça o que fizer, não vai passar. É sem massagem", acrescentou.