Na última quinta-feira (23), a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) da Polícia Civil do Rio de Janeiro indiciou a modelo Ana Paula Minerato pelo crime de racismo contra a cantora Ananda, integrante do grupo musical Melanina Carioca, após o recebimento de uma denúncia formal.
O caso veio à tona após o vazamento de um áudio nas redes sociais, no qual Minerato se referia à artista com expressões racistas. O episódio ocorreu em novembro do ano passado e gerou ampla repercussão.
O inquérito foi concluído com o enquadramento de Ana Paula no artigo 2º-A da Lei 7.716/89, que trata de práticas discriminatórias e prevê pena de 2 a 5 anos de reclusão. Segundo a delegada Rita Salim, titular da Decradi, as declarações da modelo reforçam estereótipos racistas.
Agora, o caso segue para o Ministério Público do Rio de Janeiro, que decidirá se Ana Paula Minerato será formalmente denunciada à Justiça.
Nas redes sociais, Ananda celebrou o indiciamento em um vídeo de pouco mais de um minuto. Em seu depoimento, destacou a importância de denunciar e dar visibilidade a casos como este:
"Da última vez que apareci aqui falando sobre isso, a gente se lamentou, ficou chateado. Hoje é dia de comemorar. Porque cada passo é um passo, né? A gente sabe que essas coisas às vezes demoram para ter o resultado que a gente espera, mas isso não quer dizer que deixamos de agir. Tá aí pra todo mundo ver: é uma sensação sensacional receber essa notícia. Mostra que não adianta tentar abafar, atrasar. O que tem que chegar, vai chegar. E enquanto a gente estiver aqui, vamos enfrentar o problema de frente. Agora espero que vejam que coisas desse tipo não vão mais passar impunes. Seja quem for, faça o que fizer, não vai passar. É sem massagem. Sensação sensacional, meus amigos.”