Durante uma roda de conversa na Bienal do Livro do Rio de Janeiro, Lázaro Ramos relembrou os desafios do início de sua carreira e falou sobre saúde mental, racismo e a importância da coletividade. O ator destacou como o autoconhecimento e a união com outros artistas foram essenciais para seguir em um país desigual.
"Há alguns anos eu sempre dizia: tenha duas profissões. Porque foi o que eu fiz, como muitos de nós fizeram ao longo da trajetória. Eu trabalhava no hospital e fazia teatro", contou o artista, que começou no Bando de Teatro Olodum. Para ele, além da coletividade, é essencial desenvolver uma assinatura própria para se destacar.
Lázaro também revelou que enfrentou um processo de adoecimento emocional no ano anterior, motivado pela sobrecarga de trabalho e pelo acúmulo das dores da população negra: “Estava ouvindo os problemas das pessoas, do mundo, e eu processava como se fosse comigo. Até que uma hora o meu corpo parou e eu me vi adoecido. O fantasma me pegou”, desabafou.
Apesar das dificuldades, afirmou que hoje se sente em um lugar de aprendizado e cura, citando a filha Maria Antonia como uma de suas inspirações. Durante a pandemia, ele relatou um momento marcante: “Ela me disse: ‘Pai, você fica encontrando motivo para ser triste, eu fico encontrando motivo para ser feliz’”.