A terceira temporada de “Round 6” estreou na Netflix como quem chega atrasado a uma festa que já acabou. E, o que deveria marcar um retorno triunfal, acabou confirmando os sinais que já vinham aparecendo desde a segunda temporada: a série sul-coreana, que conquistou o mundo em seu lançamento, não tinha mais o que oferecer.
O protagonista Gi-hun, vivido por Jung-jae Lee, praticamente desaparece em cena. Sua presença é tão tímida, que levanta dúvidas sobre uma possível desistência do próprio ator. Enquanto isso, outros jogadores — inclusive aqueles que conquistaram o público anteriormente — são eliminados conforme o roteiro exige, em sua necessidade de conduzir tudo a um único vencedor.
No meio do caminho, a narrativa se perde em um caldeirão de gêneros que mistura drama e comédia, como se um alívio cômico pudesse amenizar a violência gratuita. O que se vê, é uma tentativa de forçar uma “trajetória do herói”, sem conseguir manter coesão ou impacto.
As provas, que antes impressionavam pela engenhosidade, tornaram-se longas, previsíveis e cansativas. As mortes, que já carregaram algum significado, serviram mais como um espetáculo vazio. E, para completar, o retorno dos VIPs — caricatos observadores que apostam nos competidores como se estivessem em um cassino futurista — entrega diálogos sofríveis que destoam de qualquer proposta eloquente. Um roteirista iniciante provavelmente entregaria resultados mais eficientes.
Mas nada é tão surreal quanto a presença de Cate Blanchett nos episódios finais. Com ar misterioso, a atriz surge como a promessa de uma possível versão norte-americana da trama. Afinal, com tantos sucessos sul-coreanos recentes no Emmy e no Oscar, seria estranho se Hollywood ficasse de fora.
No fim das contas, a terceira temporada de "Round 6" lembra um jogador eliminado logo no início, mas que retorna por meio de uma repescagem duvidosa. E o prêmio, dessa vez, foi a paciência do público.