O corpo da cantora Preta Gil está sendo velado nesta quinta-feira (25) no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em uma cerimônia marcada pela emoção, homenagens e simbolismo. A despedida ocorre cinco dias após sua morte, aos 50 anos, em Nova York, onde realizava um tratamento experimental contra um câncer no intestino diagnosticado em janeiro de 2023.
Atendendo a um pedido da própria artista, o velório foi aberto ao público. Ainda na manhã, uma fila se formava do lado de fora do teatro. No saguão, um telão de LED exibia imagens da cantora, resgatando momentos de sua trajetória artística e pessoal.
Familiares e amigos optaram por usar roupas brancas, em um gesto que vai além da estética. No Candomblé, religião de matriz africana com a qual Preta mantinha ligação, o branco representa luto, pureza e respeito, além de funcionar como uma proteção espiritual.
Francisco Gil, filho da cantora, apareceu visivelmente emocionado, amparado por amigos. Malu Mader, Claudia Abreu, Alice Wegmann e Alane Dias estiveram presentes e também seguiram o pedido pelo uso da cor branca. Alguns convidados usavam camisetas personalizadas com o rosto da artista e a frase: "Preta tudo. Amor sempre foi ação."
Apesar de Preta Gil ter sua carreira fortemente ligada à música, a despedida foi silenciosa e contemplativa. Segundo a família Gil, não houve trio elétrico nem apresentações musicais. A ideia era manter o ambiente de serenidade, alinhado ao simbolismo do branco e ao momento de recolhimento.
A escolha do local também teve peso emocional. O Theatro Municipal, um dos palcos mais emblemáticos da cultura carioca, já havia sido usado para a despedida de outras personalidades marcantes da arte brasileira.
Artistas e personalidades lamentaram a perda nas redes sociais ao longo da semana. Nesta manhã, fãs passaram pelo teatro carregando flores, cartazes e mensagens de gratidão. Muitos destacaram a representatividade de Preta como símbolo de força, empoderamento e luta contra o racismo.
A data do velório também é carregada de significado: 25 de julho marca o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, data que, segundo familiares, reforça a potência do legado de Preta Gil. A cantora era uma voz ativa pela igualdade racial e valorização do corpo feminino, e usava sua visibilidade para debater preconceitos e levantar causas sociais.
A Prefeitura do Rio informou que equipes do Centro de Operações (COR), CET-Rio, Guarda Municipal e Comlurb atuaram no entorno do Theatro Municipal para garantir a segurança, a limpeza e o fluxo de veículos e pedestres na região central.
O sepultamento de Preta Gil será restrito à família, com local e horário ainda não divulgados.
Filha de Gilberto Gil, ex-ministra da Cultura e um dos principais nomes da música brasileira, Preta consolidou uma trajetória própria. Ao longo dos anos, lançou álbuns, participou de programas de televisão, atuou, comandou trios elétricos e, sobretudo, defendeu causas ligadas à negritude, ao corpo feminino e ao amor-próprio.
Sua ausência deixa um vazio na cultura brasileira, mas seu nome seguirá entrelaçado a lutas que mobilizam gerações.