Notícias Defendeu!
Damares surpreende e defende cota para trans: “Tenho pautas com o movimento gay”
Senadora do Republicanos afirma que travestis enfrentam dupla vulnerabilidade e defende inclusão por meio de cotas
31/07/2025 09h37
Por: Natália Raquel
Senadora Damares Alves. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) declarou apoio à adoção de cotas para pessoas trans e travestis no ensino superior. A afirmação foi feita durante participação no podcast Cortadas do Firmino, publicado nesta semana.

Segundo Damares, travestis sofrem maior exclusão social e têm dificuldades específicas para acessar educação e trabalho formal. “É muito fácil conseguir um emprego para um gay, para uma lésbica, para um trisal. Mas a travesti, pelo jeito exuberante dela, você não encontra em banco, em loja”, afirmou.

A declaração contrasta com a posição predominante entre parlamentares bolsonaristas. Recentemente, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) anunciou a criação de cotas para pessoas trans, travestis e não binárias. Cursos com até 30 vagas terão ao menos uma vaga reservada. Em cursos maiores, serão duas.

Damares disse que o tema já era tratado no governo de Jair Bolsonaro (PL), do qual foi ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Ela afirmou ter apresentado uma pesquisa sobre a população LGBTQIA+ encarcerada ao então presidente. “Arrancamos lágrimas do Bolsonaro”, relatou.

A senadora também declarou que sua aproximação com o tema começou na transição de governo, em 2018. Segundo ela, o “movimento gay” identificou que as travestis eram o grupo mais negligenciado em políticas públicas. “Nós reconhecemos isso”, disse.

Apesar da fala da senadora, o governo Bolsonaro foi marcado pelo esvaziamento de ações voltadas à população LGBTQIA+. O ex-presidente chegou a interferir para impedir a realização de vestibulares exclusivos para pessoas trans, em 2019. Também acumulou declarações homofóbicas durante o mandato.

Damares, no entanto, defendeu pontos de convergência. “O movimento gay quer a criança protegida. O movimento gay é contra a corrupção. Temos muitas pautas em comum”, afirmou. E acrescentou: “Quando vejo esse público extremamente vulnerável —porque envolve sexualidade e pobreza— defendo a cota social. Mas, no caso da travesti, ela é duplamente vulnerável.”