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Senador acorrentado, bebê no plenário e guerra declarada a Moraes: as 30 horas de manifestação da direita no Congresso
Protesto teve oração, acampamento e apoio discreto do Centrão para encerrar o impasse
07/08/2025 11h27 Atualizada há 1 ano
Por: Mateus Pereira
Foto: Agência Brasil

A crise entre Congresso e Supremo Tribunal Federal ganhou novos contornos nesta semana. Parlamentares bolsonaristas iniciaram uma série de protestos que paralisaram os trabalhos legislativos, em resposta à decisão do ministro Alexandre de Moraes de impor prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

A reação começou na terça-feira (5) com ocupações simultâneas dos plenários da Câmara e do Senado e chegou ao ápice quando o senador Magno Malta (PL-ES) se acorrentou à Mesa Diretora, prometendo não sair enquanto o “pacote da paz” não for votado.

A pauta reivindicada pela oposição inclui três frentes principais: anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro, o impeachment de Moraes e o fim do foro privilegiado. Deputados e senadores se revezaram durante a madrugada no plenário, formando um acampamento informal. A cada cinco horas, novos grupos ocupavam o espaço para manter a pressão. Os protestos contaram até com faixas, esparadrapos na boca e a presença de um bebê levado pela deputada Júlia Zanatta (PL-SC), o que provocou reações de parlamentares da base governista.

O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), anunciou que acionará o Conselho Tutelar após a cena da criança no plenário. Já o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) reclamou de restrições de acesso ao auditório Nereu Ramos, usado como plenário alternativo. Segundo ele, a entrada foi liberada somente após forte pressão do grupo bolsonarista. Em um vídeo nas redes sociais, o deputado Zucco (PL-SC) apareceu tomando café e pão de queijo com aliados. “Vamos continuar até pautar a anistia”, afirmou.

Enquanto isso, os presidentes das duas Casas atuaram nos bastidores. Hugo Motta (Republicanos-PB), da Câmara, e Davi Alcolumbre (União-AP), do Senado, convocaram reuniões emergenciais em suas residências oficiais. Alcolumbre decidiu marcar uma sessão on-line para esta quinta-feira (7), driblando a ocupação. Já Motta ameaçou suspender por seis meses os deputados que insistissem na paralisação. O clima se acalmou após um acordo informal articulado pelo Centrão, com sinais favoráveis à análise das pautas defendidas pela oposição.

No retorno à Mesa, Hugo Motta discursou pedindo respeito às instituições. Ele declarou que projetos pessoais não podem se sobrepor às necessidades do país:

Penso que, nesta Casa, mora a construção dessas soluções para o nosso país. Que não deixemos que projetos individuais, projetos pessoais ou até eleitorais estejam à frente daquilo que é maior do que todos nós.

Magno Malta, no entanto, segue firme em sua cruzada pessoal. Em vídeo divulgado nas redes, ele garantiu que só deixará o plenário quando o “pacote da paz” for votado. “Pode cortar meu ponto, meu salário, meu dia. Eu não vou em comissão nenhuma. Eu só saio daqui depois que tudo isso acontecer”, prometeu o senador, acorrentado.

No Senado, a cena também ganhou tons religiosos. O pastor Jorge Linhares, da Igreja Batista Getsêmani, foi convidado para orar pelos parlamentares. Estiveram presentes os senadores Wellington Fagundes (PL-MT), Marcos Rogério (PL-RO), José Medeiros (PL-MT) e o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), um dos líderes da articulação oposicionista.

Nos bastidores, partidos do Centrão como União Brasil e PP foram os grandes responsáveis por esfriar os ânimos. Mesmo sem garantias formais, a oposição considera uma vitória o aceno para a análise das pautas. O clima ainda é de tensão, mas os próximos dias devem ser decisivos para o futuro do embate entre Legislativo e Judiciário.

Confira então abaixo imagens das mais de 30 horas de manifestação da direita na câmara:

Foto: Agência Brasil
Foto: José Cruz | Agência Brasil
Foto: Bruno Spada
Foto: Bruno Spada
Foto: Marina Ramos
Foto: Bruno Spada
Foto: Marina Ramos