Notícias 8 de janeiro
Hugo Motta nega ter acordo com bolsonaristas para pautar anistia e rebate: “Meu cargo é inegociável”
Motta retomou o controle da Mesa Diretora da Câmara após protesto da oposição; entenda
07/08/2025 16h14 Atualizada há 1 ano
Por: Mateus Pereira
Foto: Marina Ramos

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), jogou um balde de água fria na oposição nesta quinta-feira (7). Após os bolsonaristas anunciarem com entusiasmo que haviam fechado um acordo para pautar a anistia geral aos envolvidos no 8 de Janeiro, o que poderia incluir o ex-presidente Jair Bolsonaro, Motta foi direto: não houve acerto nenhum.

Segundo o portal Metrópoles, em conversa com aliados do parlamentar, ele teria deixado claro que não negociou sua prerrogativa como chefe da Casa com ninguém. “A presidência da Câmara é inegociável. Quero que isso fique bem claro”, disparou Motta à imprensa, negando qualquer tratativa, tanto com a oposição quanto com o governo: “Não negocio minhas atribuições com absolutamente ninguém”.

A fala rebateu diretamente declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que garantiu em entrevista que existia sim um acordo no Congresso para que a proposta de anistia fosse pautada tanto na Câmara quanto no Senado. “Quem tiver maioria, leva essa”, declarou o filho do ex-presidente. Nos bastidores, o movimento foi visto como uma forma de pressionar publicamente Motta.

A confusão surgiu após o fim da ocupação do plenário e da obstrução dos trabalhos no Congresso, anunciada pela oposição. Líderes da ala bolsonarista disseram que o acordo para encerrar o impasse incluía a sinalização de que a anistia seria colocada em pauta, mesmo sem compromisso de aprovação. A negativa de Motta, no entanto, pode reacender os ânimos.

Ainda assim, o Centrão se movimenta. Nos bastidores, partidos como PP e União Brasil tentam costurar a desobstrução com uma promessa informal de que a PEC do fim do foro privilegiado e o projeto da anistia tenham andamento. Nada formalizado, mas suficiente para conter o caos, pelo menos por enquanto.

Um nome conhecido também apareceu na articulação: Arthur Lira (PP-AL). O ex-presidente da Câmara voltou a operar nos bastidores e recebeu o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), que foi até seu gabinete logo após Motta ameaçar suspender parlamentares envolvidos na ocupação. A intervenção de Lira ajudou a esfriar os ânimos. Motta, inclusive, elogiou o movimento de seu antecessor.

É natural que todos possam colaborar em momentos como aquele que nós vivemos nos últimos dias. Foi uma tensão que, acredito eu, a Casa não viveu na sua história recente.

Com ou sem acordo formal, o fato é que a oposição segue apostando alto na anistia como seu grande trunfo. E se depender de Flávio Bolsonaro e aliados, esse tema vai continuar no centro das discussões. A diferença é que agora, com a negativa de Motta, a briga deixou de ser apenas com o STF e passou a incluir o comando da própria Câmara.

Foto: Marina Ramos
Foto: Bruno Spada
Foto: Bruno Spada