A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou, de forma irônica, que os conservadores devem um “pedido de perdão” ao Partido dos Trabalhadores (PT) por não terem dado crédito às críticas feitas pela legenda à indicação de Alexandre de Moraes ao Supremo Tribunal Federal (STF), em 2017.
A declaração foi feita na quarta-feira, 6, durante coletiva de imprensa da oposição no Senado. À época da nomeação, feita pelo então presidente Michel Temer (MDB), o PT se manifestou contra a escolha. Entre os críticos estavam a atual ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, o ex-deputado federal Jean Wyllys, o senador Randolfe Rodrigues (sem partido-AP) e acadêmicos que participaram da sabatina no Senado.
“Quero, em nome dos conservadores, pedir perdão ao PT. Quero também pedir perdão à ministra Gleisi, ao ex-deputado Jean Wyllys, ao senador Randolfe e aos acadêmicos que, durante a sabatina de Alexandre de Moraes, avisaram a nós que ele era um tirano. Nós, conservadores, não acreditamos”, disse Damares.
A senadora acrescentou que, passados oito anos, parte da base conservadora “está abrindo os olhos” para decisões de Moraes que têm gerado atritos com parlamentares de oposição. Entre os pontos de tensão estão medidas adotadas pelo ministro em inquéritos sobre atos antidemocráticos e investigações que atingem aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O PT, na ocasião da indicação, alegava que Moraes não tinha perfil para o STF, citando vínculos partidários e atuação anterior como ministro da Justiça. A oposição conservadora, porém, apoiou o nome, que foi aprovado pelo Senado com 55 votos favoráveis. Hoje, segundo Damares, a posição mudou diante do que chama de “ações autoritárias” do magistrado.