Arlindo Cruz, um dos maiores nomes do samba brasileiro, faleceu nesta sexta-feira (8) no Rio de Janeiro, aos 66 anos. O cantor, compositor e instrumentista deixa um legado imortal na música popular, com um repertório que ultrapassa as 700 composições. Suas obras foram gravadas por grandes artistas, entre eles Beth Carvalho, Maria Rita, Alcione e o grupo Sorriso Maroto, reforçando sua influência em diferentes gerações.
Beth Carvalho eternizou sucessos como “Camarão Que Dorme a Onda Leva” (composta por Arlindo Cruz em parceria com Zeca Pagodinho e Beto Sem Braço), “Jiló com Pimenta”, “Partido Alto Mora no Meu Coração” e “A Sete Chaves”. Além dessas, a cantora gravou “Samba de Arerê”, composição feita em parceria entre Arlindo, Xande de Pilares e Mauro Macedo Costa Jr., que também foi interpretada por grupos como Revelação e Monobloco.
Alcione gravou a música “A Dor Que Me Visita”, de Arlindo Cruz em parceria com Arlindinho, filho do sambista, no álbum “Meu Lugar”. A parceria entre Alcione e Arlindo também foi celebrada no DVD “Batuques do Meu Lugar”, gravado em 2012 no Terreirão do Samba, quando Alcione participou de um show especial ao lado do cantor.
Maria Rita dedicou parte importante da carreira ao samba, incluindo seis canções de Arlindo Cruz no álbum “Samba Meu” (2007), seu primeiro trabalho totalmente voltado ao gênero. Entre elas, “Tá Perdoado”, “Num Corpo Só” e “O Que é o Amor?” foram grandes sucessos. A cantora também gravou outras composições de Arlindo, como “É Corpo, É Alma, É Religião” e “Saudade Louca”.
O último álbum do sambista, “Dois Arlindos” (2017), foi uma parceria com o filho Arlindinho, no qual interpretaram juntos faixas como “Bom Aprendiz”, “Nega Samambaia” e “Pais e Filhos”, lançado pouco antes do AVC que acometeu Arlindo.
Arlindo foi membro fundamental do Fundo de Quintal, grupo que revolucionou o samba na década de 1980, ao renovar a tradição do gênero com novos arranjos e composições marcantes. Sua passagem pelo grupo consolidou sua carreira como compositor e instrumentista, especialmente no cavaquinho, e contribuiu para a formação do samba contemporâneo. Em homenagem ao Fundo de Quintal, o grupo Sorriso Maroto lançou recentemente um trabalho dedicado ao grupo, valorizando a história e o legado do samba.
O impacto do trabalho de Arlindo Cruz vai além da música. Ele ajudou a preservar e renovar a tradição do samba, transmitindo sua essência para as novas gerações. Sua voz, suas composições e seu talento permanecem como referência obrigatória para quem ama a cultura brasileira.