Aos 35 anos de carreira e com mais de 40 novelas no currículo, o ator Oscar Magrini se prepara para viver um novo papel na vida pessoal: o de avô. À espera da chegada da neta Sofia, ele segue envolvido com projetos no teatro e no cinema, incluindo a estreia de uma nova peça no Rio de Janeiro. Em entrevista à jornalista Heloisa Tolipan, Magrini refletiu sobre a fase atual da teledramaturgia brasileira e demonstrou preocupação com o esvaziamento das novelas, que, segundo ele, perderam espaço e relevância nos últimos anos.
Com franqueza, o ator criticou a crescente presença de influenciadores digitais nas produções televisivas, especialmente aqueles sem formação dramática. “Novela é uma arte. Exige preparo, estudo, entrega. Não é só carisma ou número de seguidores”, afirmou. Para ele, a substituição de atores experientes por personalidades da internet contribui para a perda de qualidade e profundidade nas histórias contadas.
Magrini também comentou sobre o impacto do politicamente correto e da cultura do cancelamento nos bastidores da TV. Ele usou como exemplo o personagem Ralf, que interpretou no clássico "O Rei do Gado", para ilustrar as mudanças de abordagem que, segundo ele, seriam inevitáveis hoje. “Talvez o Ralf fosse gay, tivesse um caso com o Rei do Gado, não com a mulher. Porque, tendo um caso com o homem, talvez se resolvessem na briga sem que isso recaísse numa agressão à mulher”, declarou. A fala reflete sua visão crítica sobre a necessidade de adaptar personagens às novas exigências sociais, ainda que isso, em sua opinião, comprometa a originalidade e complexidade das tramas.