O vídeo do youtuber Felca sobre a “adultização” de menores na internet, publicado na última quarta-feira (6), ultrapassou 31 milhões de visualizações e incendiou o debate sobre sexualização infantil e regulação das redes sociais no país. A repercussão chegou à Câmara dos Deputados, que só nesta segunda-feira (11) recebeu 25 novos projetos de lei sobre o tema.
Parlamentares de diferentes espectros políticos, direita, esquerda e Centrão, se uniram para propor medidas após as denúncias do influenciador paranaense Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca. Entre os autores, estão nomes como Nikolas Ferreira (PL-MG), Tabata Amaral (PSB-SP), Filipe Martins (PL-TO), Erika Kokay (PT-DF), Dr. Zacharias Calil (União-GO), Talíria Petrone (PSOL-RJ), Ruy Carneiro (Podemos-PB) e Marx Beltrão (PP-AL).
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), prometeu pautar o assunto ainda nesta semana. Ele agradeceu ao youtuber por provocar a discussão e classificou o tema como “urgente” para a proteção de crianças.
No vídeo intitulado “Adultização”, Felca acusa o influenciador Hytalo Santos de erotizar menores em um reality show para gerar engajamento e lucro, citando a cantora mirim Kamylinha como uma das vítimas. Ele também denuncia a monetização do conteúdo e o papel dos algoritmos das redes na entrega de publicações a pedófilos.
“Pegar um monte de criança e adolescente na puberdade e botar todo mundo numa espécie de reality show com bagunça e p#taria, jogar para o Brasil inteiro e tirar uma grana? Mas que nível de insanidade a pessoa tem pra fazer isso?”, questiona no vídeo.
Após a repercussão, o deputado Reimont (PT-RJ), presidente da Comissão de Direitos Humanos, protocolou um pedido de prisão preventiva contra Hytalo Santos.
A lista de reações de políticos à denúncia é extensa. Hugo Motta afirmou que o Congresso “vai enfrentar essa discussão de frente”. Guilherme Boulos (PSOL-SP) disse que o caso escancara a conivência das big techs e questionou por que só agora as plataformas derrubaram os perfis denunciados.
Nikolas Ferreira declarou que Felca “mexeu no vespeiro” e lembrou casos anteriores de exploração infantil ignorados pela mídia. Erika Hilton (PSOL-SP) anunciou que acionou a Justiça contra redes sociais e alertou que a monetização de pornografia infantil é “criminosa e sistêmica”.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou que já havia denunciado Hytalo no ano passado e cobrou providências imediatas. A ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, disse que é “urgente” proteger crianças e adolescentes.
Capitão Alberto Neto (PL-MG) defendeu punição exemplar aos responsáveis, e a ministra Gleisi Hoffmann (PT-PR) destacou que as plataformas não podem “fingir que não é com elas” quando crimes desse tipo acontecem em seus domínios.
sobre adultização pic.twitter.com/oPJkoFROhE
— Felca #seita (@Felcca) August 9, 2025