A Justiça de Minas Gerais converteu em preventiva a prisão do empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, suspeito de matar o gari Laudemir de Souza Fernandes, de 49 anos, após uma discussão de trânsito. A decisão foi tomada na manhã desta quarta-feira (13), durante audiência de custódia em Belo Horizonte.
A conversão da prisão foi solicitada pelo Ministério Público. A defesa pediu o relaxamento, alegando que o acusado é réu primário, tem bons antecedentes e residência fixa. O juiz Leonardo Damasceno não acatou os argumentos. Renê está detido desde segunda-feira (11) no Centro de Remanejamento de Presos (Ceresp) da Gameleira, onde foi levado após ser reconhecido por testemunhas.
O crime ocorreu no bairro Vista Alegre, na Região Oeste da capital mineira. Segundo relatos, o empresário se irritou com a presença do caminhão de coleta de lixo que, segundo ele, bloqueava a rua. Após discussão com a motorista do veículo e intervenção dos garis, Laudemir foi atingido por disparos e morreu no local.
Horas depois, o empresário foi localizado em uma academia, no bairro Estoril, e preso em flagrante. No momento da prisão, negou o crime. A arma usada, segundo ele, pertence à esposa, a delegada Ana Paula Lamego Balbino Nogueira. A Polícia Civil apreendeu duas armas no endereço do casal — ambas registradas em nome da delegada.
Ana Paula foi levada à Corregedoria da Polícia Civil para prestar esclarecimentos. Ela não estava presente no momento do crime, mas será investigada por possível negligência na guarda da arma, o que pode configurar transgressão disciplinar. O inquérito também apura suspeitas de omissão de cautela e prevaricação. Ela permanece no cargo durante a apuração.
Renê não tem registro de arma nem porte autorizado. A investigação sobre o homicídio segue sob responsabilidade do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).