Durante um fórum de governadores organizado pelo Banco BTG Pactual nesta quarta-feira (13), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), fez duras críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para ele, mais grave que a “crise fiscal” vivida pelo Brasil é a “crise moral” que o país atravessa. Em tom de metáfora, afirmou que para mudar o cenário nacional “é só trocar o piloto que o carro é bom pra caramba”.
“Nós estamos há 40 anos discutindo a mesma pessoa. O Brasil não aguenta mais excesso de gasto. O Brasil não aguenta mais, não tolera mais aumento de imposto. O Brasil não aguenta mais corrupção. O Brasil não aguenta mais o PT. O Brasil não aguenta mais o Lula”, declarou Tarcísio.
O governador, que figura como possível candidato ao Palácio do Planalto com apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), inelegível, defendeu que o país precisa superar “a mentalidade atrasada, da mentalidade de 20 anos atrás” e ressaltou a importância de uma nova geração de líderes estaduais.
Ao abordar soluções para os problemas fiscais, Tarcísio citou como essenciais a reforma orçamentária, a desvinculação de receitas, a desindexação e mudanças nos benefícios tributários. Apontou ainda como entraves a “rigidez” do orçamento, a má aplicação de recursos e a baixa eficiência do gasto público.
Usando sua administração como exemplo, destacou a privatização da Sabesp e acusou o governo federal de “inventar despesas” e “jogar dinheiro fora”. Também criticou o que chamou de “picuinhas” internas, como as discussões em torno das emendas parlamentares e o discurso do governo Lula que contrapõe ricos e pobres.
“Tem um problema das emendas etc. Estamos falando de quanto? Uma discussão de R$ 40 a R$ 50 bilhões, no universo de quê? R$ 3,35 trilhões? E gastamos energia com isso por conta de um orçamento absolutamente vinculado”, afirmou. “O mundo está de portas abertas para o Brasil, e nós, aqui, andando numa ciranda e discutindo picuinha”, completou.
Na sequência, reforçou: “A gente não fortalece o fraco, enfraquecendo o forte. A gente não fortalece o empregado, enfraquecendo o empregador. A gente não pode promover a divisão. Se a gente ajustar as alavancas direitinho, a gente vai dar um salto. Vamos caminhar em direção à nossa vocação que é ser grande”, disse. “A gente já fez grandes coisas, é só trocar o piloto que o carro é bom pra caramba”, reiterou.
O encontro também contou com a presença de outros chefes do Executivo estadual, como Ronaldo Caiado (União Brasil), de Goiás; Ratinho Jr. (PSD), do Paraná; e Eduardo Leite (PSD), do Rio Grande do Sul. Caiado foi ainda mais incisivo, chamando Lula de “inconsequente” e “irresponsável”. Segundo o goiano, o presidente estaria “em uma briga com o presidente norte-americano, Donald Trump” e alertou que os governadores não podem “pagar” por isso, em referência ao tarifaço.