A Justiça do Rio de Janeiro autorizou o cantor Poze do Rodo, a realizar shows fora do estado. A juíza Beatriz de Oliveira, da 1ª Vara Criminal Regional de Jacarepaguá, também determinou a liberação da BMW apreendida no momento da prisão do artista.Poze havia sido detido no fim de maio, investigado por apologia ao crime e associação com o tráfico de drogas. Segundo a polícia, ele também é suspeito de envolvimento com lavagem de dinheiro da facção Comando Vermelho.
Ao ser solto em junho por decisão judicial, Poze passou a cumprir seis medidas cautelares. Quatro delas foram agora revogadas, entre elas a obrigação de comparecer mensalmente à Justiça e a proibição de sair da comarca. Segundo a magistrada, essas medidas causavam prejuízo à atividade profissional do cantor e de pessoas que dele dependem.
Na decisão, a juíza afirmou que não há indício de que a BMW tenha sido usada em atividade criminosa ou que seja relevante para o inquérito. O carro havia sido apreendido durante o cumprimento do mandado de prisão temporária.
Mesmo com a flexibilização das restrições, Poze do Rodo segue obrigado a manter um número de telefone ativo para contato com a Justiça, comunicar previamente qualquer mudança de endereço, não se aproximar de investigados, testemunhas ou pessoas ligadas à facção mencionada no processo, além de manter o passaporte sob custódia do juízo responsável.
O advogado Fernando Henrique Cardoso Neves afirmou que a defesa recebeu as decisões com tranquilidade e mantém a confiança de que as acusações serão anuladas. Para ele, trata-se de abuso de autoridade e criminalização de manifestações culturais.
Poze é investigado por realizar shows em comunidades controladas pelo Comando Vermelho, com presença de homens armados. Segundo a Polícia Civil, as apresentações funcionariam como forma de fortalecer financeiramente a facção por meio da promoção do tráfico.
A Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) sustenta que o repertório do artista incentiva o uso de drogas, o porte de armas e o confronto entre grupos criminosos. As investigações prosseguem para identificar outros envolvidos e possíveis financiadores.