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Ricardo Nunes consegue aval na Justiça para afastar diretores de escolas municipais que tiveram baixo desempenho no aprendizado
Os diretores foram afastados pela gestão Ricardo Nunes (MDB) no fim de maio e convocados para participar até o fim do ano letivo de um programa de “requalificação”
14/08/2025 13h10
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Ricardo Nunes - Reprodução: Brasil Paralelo

A Prefeitura de São Paulo conseguiu derrubar uma liminar e obteve autorização para afastar novamente 25 diretores de escolas da rede municipal, sob a justificativa de que eles não teriam promovido avanços significativos no desempenho dos estudantes em avaliações externas, como o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica).

Os afastamentos haviam sido determinados pela gestão Ricardo Nunes (MDB) no fim de maio, com a convocação dos profissionais para participar, até o encerramento do ano letivo, de um programa de “requalificação”. Porém, em julho, o Tribunal de Justiça de São Paulo havia ordenado o retorno imediato dos diretores aos cargos, acatando parecer do Ministério Público e pedido do Sinesp (Sindicato dos Especialistas de Educação do Ensino Público do Município).

Na última terça-feira (12), a desembargadora Tania Ahualli, da 6ª Câmara de Direito Público, suspendeu a decisão de julho. Em seu despacho, afirmou que os afastamentos “parecem bem motivados e voltados à eficiência, visando melhorias no serviço de educação pública prestado pelo município”.

Ainda segundo a magistrada, a convocação para cursos de capacitação, sem prejuízo salarial e por tempo determinado, “não aparenta configurar qualquer tipo de sanção aos servidores, tampouco prejuízo aos administrados”.

Com a nova decisão, a Secretaria Municipal de Educação informou que retomará o programa de formação, o que significa que os diretores deixarão novamente as funções de gestão escolar. A pasta destacou que “não se trata de afastamento das funções, como mencionado na reportagem, mas sim de uma formação inédita destinada a 25 diretores de escolas municipais de tempo integral, com o objetivo de aprimorar a gestão pedagógica e elevar a aprendizagem dos estudantes”.

De acordo com a secretaria, a seleção dos profissionais considerou, além dos resultados no Ideb e no Idep (Índice de Desenvolvimento da Educação Paulistana, aplicado pelo município), o tempo mínimo de quatro anos de atuação na direção de unidades consideradas prioritárias. A remuneração será mantida durante o período de capacitação.

No entanto, um estudo divulgado em junho pela Rede Escola Pública e Universidade (Repu) questionou os critérios adotados pela prefeitura. A análise apontou que apenas 12 das escolas cujos diretores foram afastados figuram entre as 25 com pior desempenho no Ideb em uma das etapas de ensino, e apenas três estão entre as que não atingiram suas metas individuais no indicador nacional.

À época, a gestão municipal afirmou que a escolha foi baseada em “critérios técnicos e transparentes”, utilizando o Ideb e, nos casos em que este não foi divulgado por falta de participação mínima de 80% dos alunos, o Idep municipal, além do tempo de permanência do diretor na mesma unidade escolar.