Notícias QUEM É?
Conheça o líder do Comando Vermelho preso que pagou por cirurgia em hospital de luxo
O traficante considerado de alta periculosidade foi liberado do Presídio Bangu 3 para passar por uma cirurgia na vesícula
14/08/2025 13h28
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Alexander de Jesus Carlos - Reprodução: Polícia Civil do RJ

Figura amplamente conhecida no cenário criminal do Rio de Janeiro, Alexander de Jesus Carlos, apelidado de “Choque” ou “220 V” (foto em destaque), é apontado como líder do Comando Vermelho (CV) e foi autorizado a deixar a prisão para realizar uma cirurgia no Hospital Samaritano, centro médico de alto padrão localizado em Botafogo, zona sul carioca.

Detido desde 2008 e já listado entre os criminosos mais procurados do estado, ele recebeu autorização na última sexta-feira (9) para sair do Presídio Gabriel Ferreira Castilho (Bangu 3B) e passar por uma colecistectomia por vídeo — procedimento cujo valor, em hospitais particulares, gira em torno de R$ 20 mil.

Durante os anos 2000, “Choque” assumiu a chefia do CV em diversas ocasiões, principalmente quando o líder oficial se afastava temporariamente. Em 2008, comandou a comunidade de Manguinhos e chegou a conceder uma entrevista ao vivo para um grande veículo de comunicação. Conhecido por sua brutalidade, era temido por execuções marcadas por extrema violência.

O caso e a repercussão
A transferência para o hospital gerou debate desde a última sexta-feira (9), sobretudo pelo fato de o tratamento ter sido realizado em uma instituição considerada de luxo, frequentada majoritariamente por pacientes da alta sociedade.

O Samaritano dispõe de 130 leitos premium, suítes com decoração sofisticada, serviço de camareira, enxoval refinado, poltronas massageadoras, televisores, ar-condicionado, cortinas e iluminação automatizadas, além de frigobar, cofre, internet sem fio e itens exclusivos de higiene pessoal.

Segundo o advogado de “Choque”, Daniel Sanchez Borges, a autorização não partiu da defesa, mas do próprio juiz responsável pelo caso. “Foi um procedimento autorizado pelo juíz da Vara de Execução Penal com parecer do Ministério Público ao verificar a gravidade do caso”, afirmou.

Ele ainda acrescentou: “A vesícula dele estava cheia de pus, se a autorização não tivesse sido concedida, ele, provavelmente, teria morrido”. Borges citou também o exemplo do ex-deputado federal Roberto Jefferson, que, mesmo preso, permaneceu internado no Samaritano por quase dois anos.

A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Rio (Seap) confirmou que a decisão judicial foi o que possibilitou a saída do detento. Já o Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ) informou que Alexander recebeu alta na noite dessa quarta-feira (13) e retornou ao presídio.

Nem o TJRJ nem a Seap forneceram detalhes sobre o atual estado clínico do prisioneiro. O Hospital Samaritano, procurado pelo Metrópoloes, não havia se manifestado até o fechamento desta matéria.