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Caso de Hytalo Santos é apenas a ponta do iceberg, diz deputado
Reimont (PT-RJ) cobra mobilização da sociedade para legislação de proteção a crianças na internet
15/08/2025 14h37 Atualizada há 1 ano
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Hytalo Santos - Reprodução: Instagram/ Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

O presidente da Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados, Reimont (PT-RJ), reforçou na terça-feira (13) a urgência de decretar prisão preventiva do influenciador Hytalo Santos, acusado de explorar e expor crianças e adolescentes nas redes sociais. Em entrevista ao jornal Primeira Edição, da TVT News, o parlamentar afirmou que o episódio é “apenas a ponta do iceberg” e alertou para a existência de uma rede organizada de pedofilia que atua tanto na internet quanto fora dela.

“Se imaginarmos que um filho nosso sofre uma violação, agiríamos imediatamente para protegê-lo. Como cidadãos e como representantes eleitos, precisamos atuar com rapidez, porque os danos podem ser irreversíveis”, declarou. Reimont esclareceu que a solicitação de investigação e prisão preventiva foi feita pessoalmente ao vice-procurador-geral da República, Nicolau Dino, e não pela Comissão de Direitos Humanos, devido à falta de consenso interno para aprovação do pedido.

O deputado lembrou que o artigo 227 da Constituição determina que família, sociedade e Estado têm a obrigação de garantir proteção integral a crianças e adolescentes. Para ele, a conduta atribuída a Hytalo Santos — que teria exposto menores repetidamente com o objetivo de aumentar audiência e lucrar nas redes — deve ser tratada com “o rigor da lei” e sem flexibilizações.

Falhas estruturais do Estado

Durante a entrevista, Reimont endossou críticas da jornalista Laura Capriglione sobre a omissão do Estado na proteção das vítimas, classificando a situação como uma “falha sistêmica” de órgãos como Conselho Tutelar, Judiciário e Legislativo. Ele apontou a fragilidade das estruturas municipais: “No Rio de Janeiro, deveríamos contar com 68 Conselhos Tutelares e existem apenas 19. Há regiões em que cinco conselheiros precisam atender 800 mil pessoas. Nessas condições, é impossível garantir a proteção adequada”.

Além da escassez de recursos, o parlamentar alertou para a influência da extrema direita sobre os conselhos tutelares, dificultando ainda mais a atuação desses órgãos. “Muitos desses indivíduos têm ligações diretas com redes sociais e influenciadores que se beneficiam da violação de direitos. Alguns foram eleitos graças a essas plataformas e não têm compromisso real com a infância”, afirmou.

Crime transnacional e rede de exploração

Reimont destacou que a exploração infantil na internet ultrapassa fronteiras e envolve grandes volumes financeiros. “Uma criança exposta no Brasil tem sua imagem circulando globalmente. Estamos diante de um crime transnacional, envolvendo redes de pedofilia nacionais e internacionais”, ressaltou. O deputado acrescentou que há diversos influenciadores envolvidos nesse tipo de prática e que a investigação não pode se restringir a Hytalo Santos.

Ele defendeu a criação de um grupo de trabalho no Congresso voltado para a elaboração de uma legislação “rigorosa e abrangente” contra crimes de exploração infantil online, incluindo deputados, especialistas e organizações da sociedade civil. “Não pode ser um projeto desenvolvido apenas por parlamentares. É necessário refletir um consenso social sobre a importância de proteger nossas crianças”, reforçou.

Pressão social para evitar engavetamento

Ao comentar sobre projetos que ficaram paralisados no Congresso, como a regulação das redes sociais e o PL das Fake News, Reimont afirmou acreditar que desta vez há mais chance de avanço graças à mobilização popular. “Mexeram num vespeiro. Quando se trata de crianças e adolescentes, a sociedade se mobiliza. Essa pressão pode impedir que o tema seja engavetado, como aconteceu anteriormente”, disse, citando o manifesto de fundação do PT: “A democracia ou se constrói pelas mãos do povo ou não virá”.

O deputado apelou para que a discussão não seja “capturada por meia dúzia de parlamentares” e convocou a população a se engajar. “Neste momento, falo mais como cidadão do que como parlamentar. É essencial que a sociedade esteja atenta e participe ativamente dessa construção”, declarou.

Sinais de conteúdo criminoso

Durante o programa, a apresentadora Talita Galli destacou que o caso Hytalo Santos também evidenciou códigos presentes em conteúdos suspeitos, como expressões “vem na bio” ou “link na bio”, usadas para redirecionar a páginas da deep web com material de exploração infantil. Reimont concordou com a gravidade do alerta e reiterou que “há muitas pessoas produzindo esse tipo de conteúdo nas redes, além de Hytalo Santos”.

O deputado concluiu a entrevista reforçando a importância da união entre sociedade, imprensa progressista e órgãos de defesa de direitos humanos para combater o problema. “A TVT presta um serviço essencial ao povo brasileiro. É com informação e mobilização que conseguiremos transformar essa realidade”, finalizou, enviando aos telespectadores uma “saudação franciscana de paz e bem”.