O pastor Silas Malafaia foi alvo de operação de busca e apreensão na quarta-feira (20/8). Foram recolhidos aparelhos celulares do líder religioso, que também está proibido de deixar o país e de manter contato com outros investigados, como o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
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Malafaia é investigado por suposta participação em crimes de coação no curso do processo, obstrução de investigação envolvendo organização criminosa e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. As apurações são desdobramentos do Inquérito 4995, que investiga condutas atribuídas a Jair e Eduardo Bolsonaro.
Segundo a Polícia Federal, mensagens trocadas entre Malafaia e Jair Bolsonaro após o anúncio de tarifas de 50% pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros indicam articulação de uma campanha para vincular o fim das sanções à concessão de anistia a investigados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
Em um dos trechos, Malafaia afirma: "A próxima retaliação vai ser contra ministros do STF e suas famílias. Vão dobrar a aposta apoiando o ditador? Duvido". Em outro, escreve que “tem que pressionar o STF dizendo que se houver uma anistia ampla e total, a tarifa vai ser suspensa”.
A Procuradoria-Geral da República classificou o pastor como “orientador e auxiliar” de ações de coação e obstrução atribuídas a Jair e Eduardo Bolsonaro. Para a PGR, o objetivo era interferir na Ação Penal 2668, em que o ex-presidente é réu por tentativa de golpe de Estado. O julgamento está marcado para 2 de setembro.
Na decisão que autorizou a operação, o ministro Alexandre de Moraes destacou a existência de “fortes evidências” de que Malafaia atua na construção de uma campanha criminosa contra ministros do Supremo Tribunal Federal.
ALEXANDRE DE MORAES! O crime de divulgar conversas privadas para confundir a opinião pública pic.twitter.com/xqbaAY0PND
— Silas Malafaia (@PastorMalafaia) August 21, 2025