O Ministério Público do Trabalho da Paraíba (MPT-PB) determinou o bloqueio de até R$ 20 milhões em bens ligados ao influenciador Hytalo Santos e ao marido, Israel Vicente, conhecido como Euro. A decisão, executada nesta quinta-feira (21), abrange veículos, empresas e valores em contas bancárias do casal.
Ambos estão detidos sob suspeita de tráfico de pessoas e exploração sexual. Na última terça-feira (19), a Justiça de São Paulo rejeitou o pedido da defesa para que os dois fossem transferidos do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Pinheiros, na capital, para a penitenciária de Tremembé, no interior paulista. Ficou determinado, ainda, que os influenciadores sejam enviados para uma unidade prisional na Paraíba.
De acordo com o MPT, a medida visa garantir o pagamento de indenização por dano moral coletivo, além de assegurar recursos para reparação e apoio às vítimas. O órgão identificou indícios de tentativa de esconder patrimônio. Segundo a decisão, houve “movimentação financeira atípica e manobras de blindagem, ocultação e dissipação patrimonial”. As informações foram confirmadas pela TV Cabo Branco.
As apurações contra Hytalo tiveram início em 2024, conduzidas pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB), após denúncias de exploração de menores. No dia 6 de agosto, o youtuber Felca publicou um vídeo de 50 minutos mencionando a atuação do influenciador com adolescentes, incluindo o caso de Kamyla Santos, de 17 anos. Segundo o relato, a jovem teria sua imagem explorada de maneira sugestiva para obtenção de lucro.
O material repercutiu de forma massiva, ultrapassando 100 milhões de visualizações no Instagram, reacendendo discussões sobre a vulnerabilidade de crianças e adolescentes em ambientes digitais e a urgência de medidas de proteção.
Ex-colaboradores ouvidos pelo programa Fantástico, da TV Globo, relataram que em festas organizadas por Hytalo havia menores consumindo bebidas alcoólicas. Eles também afirmaram que adolescentes que viviam com o influenciador, chamados por ele de “filhos”, tinham a alimentação controlada.
“Os adolescentes só comiam quando ele queria. E só poderiam comer quando ele acordasse”, disse uma testemunha. Outro depoimento revelou que alguns ficaram mais de um mês sem frequentar a escola. Uma coordenadora ainda relatou que havia atrasos recorrentes porque os jovens participavam de “gravações” organizadas por Hytalo.
O caso segue em andamento e está sendo apurado pelo Ministério Público da Paraíba em conjunto com a Polícia Civil, reunindo denúncias que incluem tráfico de pessoas, exploração sexual, fornecimento de álcool a menores e manipulação da rotina dos adolescentes.