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Me diga com quem andas... : Testemunha diz que 'Sheik do Bitcoin' injetou R$ 30 milhões em empresa de Malafaia
Pastor confirmou sociedade com Francisley, condenado a 56 anos de prisão, mas alegou que parceria foi encerrada antes do empresário ser denunciado; entenda
25/08/2025 12h44
Por: Mateus Pereira
Fotos: redes sociais

Condenado a 56 anos de prisão, o empresário Francisley Valdevino da Silva, conhecido como "Sheik do Bitcoin", aportou R$ 30 milhões em uma sociedade com o pastor Silas Malafaia, fundador da Assembleia de Deus Vitória em Cristo. O valor foi revelado por uma testemunha-chave do processo que levou à condenação do empresário, em depoimento até então inédito.

Malafaia confirmou a sociedade, mas disse que a parceria durou cerca de um ano e terminou antes de Francisley ser denunciado. Os dois foram sócios na Alvox Gospel Livros Marketing Direto, empresa aberta em maio de 2021 e encerrada em julho de 2022. Segundo a investigação, o aporte tinha como objetivo ajudar financeiramente a Central Gospel LTDA, editora de Malafaia que entrou em recuperação judicial em 2019 com dívida de R$ 16 milhões.

Em depoimento à PF, o empresário gospel Davi Zocal relatou que o Sheik investiu pesado para ter influência no meio religioso:

Ele gastou muito. Entre confecção e tudo, foram R$ 30 milhões para erguer a empresa. Mas combinaram de abrir outra empresa para não ‘pegar mal’. O foco do Malafaia era a Central Gospel.

Francisley foi alvo de operação da PF em outubro de 2022 e, dois anos depois, condenado pela Justiça Federal do Paraná. Ele comandava esquema de pirâmide financeira que teria movimentado R$ 4 bilhões e prejudicado cerca de 15 mil pessoas, entre elas Sasha Meneghel, filha da apresentadora Xuxa.

O que diz Malafaia?

Segundo matéria do Metrópoles, o pastor confirmou o investimento, mas ressaltou que não havia denúncias contra Francisley na época. Ele afirmou que não tinha poder de decisão na Alvox e que saiu da sociedade antes da denúncia do MPF.

Ele botou dinheiro na minha editora para me ajudar no momento mais difícil. O que eu tenho com os crimes de bitcoin dele? Onde é que eu fiz propaganda para alguém da minha igreja?

O líder religioso também negou que tenha atuado para favorecer o "Sheik do Bitcoin" e afirmou que foi apenas um dos mais de cem sócios do empresário em diferentes negócios.