Notícias Caso Felca
Parceiro de hacker orquestrava ataques a moradores de rua
Adolescente de 17 anos é apontado pela Polícia Civil como líder de grupo virtual ligado a crimes de ódio e exploração sexual
28/08/2025 13h39 Atualizada há 1 ano
Por: Natália Raquel
Homem em situação de rua Foto: Matheus Tagé/ Arquivo/ Jornal A Tribuna

A Polícia Civil de São Paulo identificou um adolescente de 17 anos como responsável por coordenar, em um aplicativo de mensagens, ataques contra pessoas em situação de rua. O jovem também é investigado por ameaçar o youtuber Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, após o influencer denunciar casos de pedofilia e adultização de crianças na internet.

Segundo as investigações, o adolescente agia em parceria com Cayo Lucas Rodrigues dos Santos, de 22 anos, preso na última segunda-feira (25) em Olinda (PE). Cayo é apontado como membro de destaque da organização criminosa virtual chamada Country, que atua em diferentes estados.

A polícia afirma que a célula chefiada pelo menor recrutava integrantes em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina, Pará, Pernambuco e no Distrito Federal. Em julho, a segunda fase da Operação Nix reuniu forças de segurança desses estados para investigar crimes atribuídos ao grupo, como violência contra moradores de rua e maus-tratos a animais.

Nazismo e violência digital

O adolescente, que é afrodescendente, também promovia apologia ao nazismo e à “supremacia branca”. De acordo com os investigadores, ele induzia vítimas a se automutilarem e, em alguns casos, a escrever frases racistas com o próprio sangue. Entre as mensagens estavam “morte aos negros”, acompanhadas de suásticas. Em um perfil associado a ele, havia a foto de Adolf Hitler.

A lista de crimes atribuídos ao grupo inclui exploração sexual infantil, estupro virtual, indução à automutilação, divulgação de dados pessoais de vítimas (doxxing), ameaças, crueldade contra animais e disseminação de símbolos nazistas.

Ameaças a Felca e a psicóloga

O trabalho do Noad (Núcleo de Observação e Análise Digital) da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo começou em novembro de 2024. A investigação revelou que, além dos ataques, o grupo oferecia “serviços” pagos para invadir sistemas oficiais, como Detran, Receita Federal e Justiça.

O grupo passou a ameaçar Felca após a divulgação de um vídeo em que o youtuber expôs casos de exploração sexual de crianças. As intimidações também chegaram à psicóloga Ana Dornellas Chamati, entrevistada por ele. Em mensagens enviadas por Cayo e pelo adolescente, os criminosos mencionaram dados pessoais da família da psicóloga e descreveram formas de tortura.

Rede internacional

As investigações apontam ainda que parte das ações era financiada do exterior. Em um dos casos, um jovem brasileiro residente na França teria enviado recursos para custear ataques no Brasil.

A Polícia Civil mantém a apuração sob sigilo. Segundo Lisandréa Salvariego, delegada coordenadora do Noad, muitos pais desconhecem o envolvimento dos filhos em práticas criminosas. “São ações absurdas em que o jovem pode ser tanto o idealizador da violência quanto a própria vítima”, afirmou.