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Lula cobra PT e pede que projetos pessoais fiquem em segundo plano em nome de alianças competitivas
Em reunião com ministros e líderes petistas, presidente afirma que partido e aliados do governo precisam eleger maioria no Senado
29/08/2025 12h16
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Presidente Lula e Fernando Haddad - Reprodução: Wilton Junior/Estadão

Em uma reunião na noite dessa última quinta-feira (28), no Palácio da Alvorada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou ministros e lideranças do PT para exigir "maturidade política". A principal pauta foi a necessidade de priorizar alianças eleitorais competitivas para 2026, deixando de lado as ambições pessoais. Lula ressaltou que, se não elegerem uma maioria no Senado no próximo ano, a Casa de Salão Azul pode ser controlada por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O encontro, que também contou com a presença de Edinho Silva, o novo presidente do partido, teve como objetivo traçar as estratégias do governo no Congresso e planejar as próximas eleições. Em 2026, o Senado vai renovar 54 das 81 cadeiras, e pesquisas de opinião mostram que apoiadores de Bolsonaro estão em vantagem.

O cenário causa preocupação no Palácio do Planalto. Para os ministros presentes, a fala de Lula sobre a importância de montar chapas fortes para o Senado foi um recado direto ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad. O presidente precisa de apoios sólidos, especialmente em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, que representam os maiores colégios eleitorais do país. Até o momento, Haddad não manifestou a intenção de deixar o cargo para concorrer a um novo mandato. O governo estima que, dos 38 ministros, aproximadamente 20 devem sair em abril do próximo ano para disputar vagas no Congresso ou até em governos estaduais.

Ao abordar o panorama político, Lula não demonstrou surpresa com o julgamento de Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), que se iniciará na próxima terça-feira (2). A expectativa é que o ex-presidente seja condenado por tentativa de golpe e por "abolição violenta do Estado Democrático de Direito".

A conversa com os petistas ocorreu após o presidente se encontrar com representantes de outras legendas que compõem sua administração, incluindo o Republicanos, União Brasil, PSD, MDB e PSB. Na reunião com o PT, Lula reafirmou que continuará cobrando lealdade de seus parceiros, como fez na reunião ministerial de terça-feira (26), quando expressou indignação com o fato de ministros do PP e do União Brasil não defenderem o governo das críticas. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi um dos que criticaram o Planalto na ocasião e tem sido apontado pelo Centrão como um possível adversário de Lula nas eleições de 2026.

Durante o encontro, o presidente elogiou a operação da Polícia Federal, batizada de "Carbono Oculto", que desarticulou um esquema bilionário de lavagem de dinheiro em postos de gasolina por meio de fintechs. O governo acredita que essa ação conjunta impulsionará a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança, que está parada no Congresso.

A atual preocupação de Lula é a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), criada para investigar desvios de aposentadorias do INSS. O presidente se mostrou inconformado com a perda da presidência e da relatoria da CPMI, atribuindo o revés à falta de atenção dos articuladores políticos do PT.