O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta sexta-feira (29) que mantém disposição para negociar com os Estados Unidos a retirada das tarifas de 50% aplicadas pelo governo de Donald Trump às exportações brasileiras. Segundo ele, a Casa Branca tem evitado o diálogo.
Em entrevista à Rádio Itatiaia, Lula afirmou que autorizou o início do processo de retaliação com base na Lei de Reciprocidade, mas explicou que o objetivo é dar andamento às consultas formais. “Não tenho pressa de adotar medidas contra os Estados Unidos. Se seguirmos todos os trâmites da Organização Mundial do Comércio (OMC), isso pode levar até um ano”, disse.
O presidente citou dificuldades nas conversas entre autoridades brasileiras e americanas. Um telefonema entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), e o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, foi cancelado por iniciativa do americano, que no mesmo dia se reuniu com o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Apesar da resistência de Washington, Lula afirmou que prefere o entendimento. “Eles não estão dispostos a negociar. Se o Trump quiser negociar, o Lulinha paz e amor está de volta. Não quero guerra com os Estados Unidos. Quero negociar, quero justiça”, declarou.
O presidente também falou sobre um possível encontro com Trump em setembro, durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Segundo ele, a reunião “vai depender” da disposição do chefe da Casa Branca.“Se o Trump ou qualquer pessoa de relevância no governo americano quiser negociar sério com o Brasil, nós estaremos dispostos a conversar 24 horas por dia”, completou.