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Tribunal encerra investigação contra Ricardo Nunes por suposto desvio de verbas
PF havia pedido para investigar relações do prefeito de SP com empresa envolvida em suposto esquema de desvio de dinheiro público
29/08/2025 13h04 Atualizada há 1 ano
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Ricardo Nunes - Reprodução: Brasil Paralelo

O Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), sediado em São Paulo, acatou um pedido de habeas corpus e suspendeu um inquérito da Polícia Federal (PF) que apurava a conduta do prefeito Ricardo Nunes (MDB) por suposta apropriação indevida de recursos destinados à merenda de creches municipais. A decisão foi proferida por maioria, com dois votos a favor e um contra.

O relator, desembargador Alexandre Saliba, foi contrário à concessão da liminar, mas o desembargador Fausto Martin de Sanctis votou pelo arquivamento da investigação, sendo acompanhado por José Marcos Lunardelli, o terceiro membro da turma.

Para o advogado criminalista Daniel Bialski, que defende o prefeito, a deliberação do TRF-3 "reconhece a absoluta falta de justa causa para a continuidade das investigações".

Em julho do ano passado, a PF havia indiciado 117 indivíduos por um suposto esquema de desvio de verbas públicas direcionadas ao atendimento de crianças de 0 a 3 anos em São Paulo. Na ocasião, a corporação solicitou à Justiça Federal permissão para abrir um novo inquérito focado na relação do prefeito com uma empresa "noteira". O suposto envolvimento de Nunes, conforme a PF, teria ocorrido em 2018, quando ele era vereador.

O prefeito foi ouvido durante a investigação e sustentou perante a PF que os valores sob suspeita correspondiam a serviços prestados de maneira regular pela empresa Nikkey.

Na época, a PF descreveu um "complexo esquema de desvio de valores públicos, inclusive verbas federais, que estaria sendo realizado por Organizações Sociais e Mantenedoras de Centros de Educação Infantil e creches que prestam serviços para a Prefeitura de São Paulo".

O suposto desvio contaria com o apoio de escritórios de contabilidade, que falsificavam Guias da Previdência Social em nome das organizações sociais. Além disso, o esquema envolvia empresas que funcionavam como "noteiras", "com a finalidade de conferir uma falsa licitude ao dinheiro desviado", de acordo com o Ministério Público Federal (MPF). Tais empresas emitiam notas fiscais fraudulentas.

Em novembro, a Justiça Federal havia autorizado a apuração da PF sobre Nunes.

A posição da defesa

A equipe jurídica do prefeito comemora que o TRF-3 tenha "declarado e reconhecido o espúrio constrangimento ilegal, reconhecendo a absoluta falta de justa causa para a continuidade das investigações a seu desfavor, determinando o trancamento do Inquérito Policial que estranha e arbitrariamente prosseguia na Polícia Federal".