O governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa, foi retirado do cargo após a Polícia Federal (PF) iniciar a segunda fase de uma investigação que apura a apropriação indevida de fundos públicos destinados à compra de cestas básicas durante a pandemia de Covid-19. O período de suspensão do governador é de seis meses.
A operação da PF, autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), revelou que mais de R$ 97 milhões foram gastos em contratos para cestas básicas e frangos congelados, resultando em um prejuízo estimado de R$ 73 milhões aos cofres públicos. Foram expedidos 51 mandados de busca e apreensão.
Os valores desviados teriam sido ocultados com a construção de imóveis de alto padrão, aquisição de gado e pagamento de despesas pessoais dos envolvidos.
De acordo com a PF, a investigação foca em um possível desvio de verbas entre 2020 e 2021, quando os suspeitos teriam se aproveitado do estado de emergência em saúde pública para fraudar contratos de fornecimento de alimentos.
Mais de 200 policiais federais participam da operação, que inclui 51 mandados de busca e apreensão e outras medidas cautelares para coletar evidências sobre o uso de emendas parlamentares e recebimento de propinas por agentes políticos. As ações ocorrem em Palmas e Araguaína (TO), no Distrito Federal, em Imperatriz (MA) e em João Pessoa (PB).
O processo tramita em sigilo no STJ. O tribunal confirmou que a decisão de afastar Barbosa partiu do ministro Mauro Campbell Marques, a pedido do Ministério Público. A primeira-dama Karine Sotero Campos também foi destituída do cargo de secretária extraordinária de Participações Sociais.
Wanderlei Barbosa Castro, natural de Porto Nacional (TO), foi eleito vice-governador em 2018 e reeleito em outubro do mesmo ano. Em 2021, ele assumiu o governo do estado e foi reeleito em 2022 com 481.496 votos. Com a sua saída temporária, o vice-governador Laurez Moreira (PSD) assume a gestão.