O advogado Celso Vilardi afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não teve qualquer participação nas tentativas de golpe investigadas, incluindo os atos de 8 de janeiro, e questionou a credibilidade do delator Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente.
No segundo dia do julgamento, nesta quarta-feira (3), Vilardi argumentou que o processo se baseou em uma minuta e em delações consideradas “parcialmente falsas” pela defesa, sem apresentar provas concretas que ligassem Bolsonaro às operações Punhal Verde e Amarelo, Luneta ou aos eventos de 8 de janeiro.
Não há uma única prova que vincule o presidente ao Punhal Verde e Amarelo, Operação Luneta e 8 de Janeiro. Nem o delator, que eu sustento que mentiu contra o presidente, chegou a afirmar participação em qualquer uma dessas ações.
Vilardi também criticou o que classificou como cerceamento do direito de defesa, alegando que a quantidade de documentos apresentada em pouco tempo inviabilizou um acompanhamento adequado.
São bilhões de documentos numa instrução de menos de 15 dias, seguida de interrogatório. Eu não conheço a íntegra desse processo.
A crítica central recaiu sobre Mauro Cid, cujos depoimentos, segundo a defesa, apresentaram contradições e omissões reconhecidas inclusive pela Polícia Federal. “Este homem não é confiável”, concluiu o advogado, reforçando que a acusação estaria baseada em declarações inconsistentes e não em evidências concretas.