A Procuradoria-Geral de Justiça de São Paulo denunciou o juiz Peter Eckschmiedt e o perito Eduardo Tagliaferro, além de outras 11 pessoas, por peculato e organização criminosa. Ambos foram acusados de integrar o esquema, e Tagliaferro, ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes, teria afirmado que Eckschmiedt fraudava relatórios para justificar uma operação contra empresários bolsonaristas em 2022, o que é negado pelo ministro.
Segundo a denúncia, o juiz liderava um esquema para obter vantagens ilícitas e desviar dinheiro em processos da 2ª Vara Cível de Itapevi, na Grande São Paulo. Segundo a investigação, alguns dos recursos desviados pertenciam a heranças, entre eles valores relacionados ao empresário e ex-piloto de Stock Car Alexandre Negrão, falecido em 2023. Em operação realizada no ano passado, a PGJ, em parceria com a Polícia Militar, encontrou R$ 1,7 milhão escondidos no sótão da casa de Eckschmiedt em Jundiaí.
O magistrado já foi condenado à aposentadoria compulsória, a pena mais grave aplicável a um juiz, em votação unânime em maio deste ano. O esquema envolvia ações fraudulentas com títulos falsificados, que eram manipulados para cair na 2ª Vara Cível. Decisões de bloqueio e desbloqueio de valores eram emitidas e os recursos, transferidos para contas vinculadas aos processos, beneficiando principalmente o juiz. Tagliaferro teria usado conhecimentos em forense digital para apagar dados de celulares e dificultar as investigações.