Notícias POLÍTICA
Ministro prevê “pena muito alta” para Bolsonaro e aponta “tentativa clara de golpe”
Advogado avalia ainda que os argumentos da defesa contra a delação de Mauro Cid e um 'superpoder' de Alexandre de Moraes não se sustentam
05/09/2025 12h18
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: Terra
Jair Bolsonaro - Reprodução: Ton Molina/STF

Em entrevista ao Terra, o ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, expressou sua convicção de que o ex-presidente, Jair Bolsonaro (PL), enfrentará uma "pena muito alta" no julgamento que se iniciou nesta semana no Supremo Tribunal Federal (STF) e será retomado na próxima terça-feira (9). Bolsonaro e outros sete indivíduos são acusados de conspiração para um golpe de Estado.

Cardozo, com vasta experiência política que inclui oito anos como deputado federal pelo PT, e passagens como Ministro da Justiça e Advogado-Geral da União durante os governos de Dilma Rousseff (PT), avalia que as evidências reunidas contra Bolsonaro são "irrefutáveis". Segundo sua análise, o ex-presidente deve ser sentenciado a regime de reclusão fechado.

"Há uma tentativa clara de golpe de Estado, há uma configuração probatória nítida de que se tentou derrubar o governo do presidente Lula. Isso num processo que vem ao longo do tempo. A descrição feita pela Procuradoria Geral da República a partir do relatório da Polícia Federal é perfeita, absolutamente perfeita", declarou Cardozo.

Ele acrescentou: "A somatória dos crimes que estão configurados, ao meu ver, dará uma pena muito alta. E não é por decisão do Supremo que ele deve cumprir em regime fechado, mas pela dimensão da pena, porque é assim que funciona a legislação penal brasileira".

O ex-ministro traçou um paralelo entre a situação atual de Bolsonaro e a condenação do presidente Lula (PT) em 2018, que posteriormente foi anulada pelo STF.

"O presidente Lula foi condenado por um juiz que selecionou as provas para colocar nos autos e, por isso, foi referendado pelas instâncias superiores até que se descobrisse a fraude", disse Cardozo.

Contudo, ele ressaltou as diferenças: "Neste momento, temos uma situação muito diferente. É um julgamento feito pela Suprema Corte, a partir de uma tentativa óbvia de golpe de Estado. Não dá para apagar as provas que foram produzidas, porque elas são evidentes. E aí o Supremo Tribunal Federal vai ter que se posicionar sobre esse assunto para que cumpra com seu papel de guardião da Constituição e da democracia brasileira. Ele vai ter que aplicar a sua sanção.”