A deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP), presa desde julho em Roma, participou nesta quarta-feira (10) por videoconferência de reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. O colegiado iniciou a análise do processo que pode levar à cassação do mandato da parlamentar, condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a dez anos de prisão pela invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Foragida da Justiça brasileira desde maio, Zambelli foi incluída na lista vermelha da Interpol e presa em julho nos arredores da capital italiana. Desde então, está detida na penitenciária feminina de Rebibbia, aguardando decisão sobre o processo de extradição.
A situação é considerada inédita pelo relator do processo e pela defesa, já que Zambelli participou remotamente da oitiva de duas testemunhas: o hacker Walter Delgatti, também condenado pelo ataque ao CNJ, e Michel Spiero, assistente técnico da defesa.
O advogado da deputada avalia que uma das estratégias será tentar desacreditar Delgatti. Segundo ele, a participação remota só foi possível após autorização da Justiça italiana.
Carla Zambelli e Walter Delgatti Neto "frente a frente" em oitiva (quase uma acareação) da CCJ na Câmara Federal.
— Haftas Arden (@HaftasArden) September 10, 2025
Na oitiva, o "hacker" informou que ficou 20 dias no imóvel funcional da deputada. Carla Zambelli desmentiu. pic.twitter.com/Nkx61Exh1X
O STF condenou Carla Zambelli e Walter Delgatti em maio deste ano. Após a decisão, já sem possibilidade de recurso, a parlamentar deixou o Brasil rumo à Argentina, passou pelos Estados Unidos e se refugiou na Itália. Foi localizada em Roma após monitoramento da Interpol.
Segundo a Polícia italiana, agentes fizeram cerco ao prédio onde Zambelli se escondia para evitar nova fuga. A defesa afirma que ela se entregou espontaneamente, versão que não consta nos registros da operação.
Com a condenação definitiva, cabe à Câmara confirmar a perda do mandato. O processo começa pela CCJ e segue para votação no plenário. Para cassar Zambelli, são necessários ao menos 257 votos, o equivalente à maioria absoluta dos deputados.
A deputada está licenciada do cargo até 2 de outubro, prazo concedido antes da decisão do STF pela prisão preventiva.