O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, expressou, nesta quarta-feira (10), seu espanto diante da vastidão de informações apresentadas pela Polícia Federal (PF) relativas ao general Mário Fernandes. Fernandes é apontado como o idealizador do plano "Punhal Verde Amarelo", que supostamente visava assassinar Lula, Geraldo Alckmin e Alexandre de Moraes. Esses dados, enviados às partes acusadas na ação penal da trama golpista, incluindo Jair Bolsonaro (PL) e outros sete réus, foram descritos por Fux como um "tsunami de dados", totalizando aproximadamente 70 terabytes.
"É gritante a magnitude do material probatório envolvido. [...] Foi nesse cenário de acesso tardio a um 'tsunami de dados' que a defesa levantou a questão de cerceamento de defesa. O volume chega a 70 terabytes. Eu fiz uma pesquisa e não consegui acreditar, são bilhões de páginas. E, em menos de 20 dias, foi proferida a decisão com o acesso aos documentos", declarou o magistrado durante a análise de uma das preliminares, que tratava justamente do cerceamento de defesa no processo.
O juiz ressaltou que os documentos e pastas estavam "sem qualquer nomenclatura ou índice que permitissem uma pesquisa", dificultando a análise. A sessão de julgamento desta quarta, iniciada às 9h10, tem previsão de término às 14h. Atualmente, a Primeira Turma do STF apresenta um placar de 2 a 0 em favor da condenação dos acusados.
Após a discussão das preliminares, Fux emitirá seu voto sobre o mérito da causa. Caso ele acompanhe o relator, Alexandre de Moraes, o STF consolidará maioria para condenar os réus. Na terça-feira (9), os ministros Moraes e Flávio Dino já haviam votado pela condenação de Bolsonaro e seus associados.
Para se ter uma ideia da dimensão, esse volume de dados seria suficiente para armazenar 35 milhões de livros digitais, considerando uma média de 2 MB por e-book.
Na quarta-feira passada (3), durante o segundo dia do julgamento da conspiração golpista, o advogado Celso Vilardi, um dos defensores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), argumentou que a equipe de defesa não dispôs de tempo adequado para examinar as evidências referentes ao general Mário Fernandes, que ocupava o cargo de secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência. Vilardi enfatizou que essa análise era crucial, pois, segundo as apurações da PF, o ex-presidente tinha "pleno conhecimento" do plano.
"Eu não conheço a totalidade deste processo. O conjunto da prova, eu não conheço. São bilhões de documentos, em uma instrução de menos de 15 dias, seguida por um interrogatório. A instrução começou em maio, e nós estamos em setembro: 15 dias de prazo para o Ministério Público, 15 dias de prazo para a defesa", lamentou o advogado.