A CPI do INSS aprovou nesta quinta-feira, 11, a quebra dos sigilos fiscal, bancário e telefônico de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. Apontado pela Polícia Federal como operador central de fraudes em aposentadorias e pensões, ele é acusado de movimentar R$ 53 milhões em desvios de recursos de aposentados e pensionistas. Apenas para pessoas ligadas ao instituto, as investigações rastrearam transferências de mais de R$ 9 milhões.
De acordo com a PF, empresas de Antunes funcionavam como intermediárias financeiras, recebendo valores de associações e repassando-os a servidores públicos e dirigentes de entidades. Convocado a depor, o Careca do INSS é esperado no colegiado no próximo dia 15 de setembro.
Além de Antunes, os parlamentares aprovaram a quebra de sigilos do ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, afastado após operação da PF, e de Danilo Trento, suspeito de atuar junto ao ex-procurador-geral do instituto Virgílio de Oliveira Filho. Stefanutto era considerado apadrinhado pelo ex-ministro da Previdência Carlos Lupi, que deixou o cargo em meio às denúncias.
As medidas também atingem associações de aposentados investigadas por descontos fraudulentos, com a determinação de acesso a dados fiscais e bancários desde a assinatura dos convênios com o INSS até 2025.
Dois requerimentos ainda solicitam ao Coaf relatórios de movimentações financeiras do Sindicato Nacional dos Aposentados da Força Sindical (Sindnapi). A entidade tem como vice-presidente José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Não há pedido, entretanto, para a quebra do sigilo pessoal de Frei Chico.
Na mesma sessão, a CPI ouviu o ex-presidente do INSS e ex-ministro do Trabalho e Previdência no governo Jair Bolsonaro (PL), José Carlos de Oliveira, que atualmente usa o nome Ahmed Mohamad Oliveira Andrade.