Um dos capítulos mais trágicos da história dos Estados Unidos, os atentados de 11 de setembro de 2001, deixaram quase 3 mil mortos após a ação de terroristas da Al-Qaeda, que sequestraram aviões e os lançaram contra as Torres Gêmeas, em Nova York, e o Pentágono, em Washington. Mas, passadas mais de duas décadas, o legado da tragédia se estende em forma de um inimigo silencioso: o chamado “câncer do 11 de Setembro”.
A expressão se refere a centenas de tipos de doenças crônicas e cânceres que atingem sobreviventes, bombeiros, policiais e moradores da região de Manhattan, expostos à fumaça tóxica liberada com a queda das torres. Estima-se que a nuvem de poeira liberou mais de 2.500 contaminantes, entre metais pesados, asbestos e compostos químicos nocivos.
Segundo dados oficiais, o número de pessoas que desenvolveram doenças fatais relacionadas à exposição já supera o total de vítimas diretas do atentado. Para médicos e especialistas, esse é um dos maiores desafios de saúde pública deixados pelo ataque.
Em resposta, o governo americano criou programas de assistência médica a sobreviventes e socorristas, como o World Trade Center Health Program, que garante acompanhamento vitalício a milhares de pessoas. Ainda assim, novas vítimas são registradas ano a ano, reforçando a dimensão duradoura da tragédia.
11 de setembro de 2001 – Quatro aviões são sequestrados por terroristas da Al-Qaeda. Dois atingem as Torres Gêmeas, um atinge o Pentágono e outro cai em campo aberto na Pensilvânia. Quase 3 mil pessoas morrem.
2002-2003 – Surgem os primeiros relatos de problemas respiratórios em bombeiros e moradores de Nova York expostos à nuvem tóxica.
2006 – Estudos científicos começam a associar a exposição no “Ground Zero” ao aumento de cânceres e doenças crônicas.
2010 – O Congresso aprova o James Zadroga 9/11 Health and Compensation Act, que garante assistência médica a sobreviventes e socorristas.
2015 – Pesquisas apontam aumento de até 30% nos índices de câncer entre bombeiros que atuaram no resgate.
2021 – No 20º aniversário dos atentados, já havia mais de 80 mil pessoas inscritas em programas de saúde relacionados ao 11 de Setembro.
2025 – Número de mortos por doenças associadas à exposição já supera as vítimas do atentado em 2001.