Notícias UMA NOVA OPÇÃO?
STF e Planalto avaliam apoio à “anistia light” para crimes contra a democracia
Proposta em discussão no Senado prevê redução de penas em alguns casos, mas sem perdão judicial a Bolsonaro e militares condenados
15/09/2025 13h25
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Reprodução: Agência Brasil

O Palácio do Planalto e uma facção do Supremo Tribunal Federal (STF) indicaram à liderança do Congresso que veem com bons olhos a denominada "anistia light", uma sugestão em discussão no Senado como alternativa à anistia total defendida por parte do grupo bolsonarista.

Conforme informações de fontes ligadas à elaboração da proposta, a ideia abrange quatro pontos centrais:

  • Redução das sanções para crimes de tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

  • Agravamento da punição se a abolição violenta for perpetrada através de uma tentativa de golpe.

  • Criação de um tipo penal específico para indivíduos que agem sob influência de multidões, sem exercer liderança ou financiar ações, com penas inferiores.

  • Elevação da penalidade para aqueles que lideram ou financiam ações antidemocráticas.

Este modelo difere da proposta em análise na Câmara dos Deputados, que propõe um perdão judicial. A versão defendida no Senado não anula condenações, mas modifica as tipificações penais e a maneira como as penas são aplicadas.

Na prática, a "anistia light" teria um impacto limitado sobre as condenações recentes do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de generais reformados, porém poderia beneficiar os réus envolvidos nos eventos de 8 de janeiro.

O Planalto indicou sua aceitação à proposta, desde que o STF também a aprove. Um ministro da Corte, consultado pela CNN Brasil, declarou que a posição definitiva só será estabelecida após a apresentação formal do texto. Segundo senadores, consultores legislativos já estão elaborando rascunhos a pedido do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

O projeto alteraria a Lei nº 14.321, de 2021 — sancionada pelo próprio Bolsonaro — que define crimes contra a democracia. Atualmente, a legislação prevê reclusão de 4 a 8 anos para abolição violenta do Estado Democrático de Direito e de 4 a 12 anos para tentativa de golpe de Estado.

A iniciativa enfrentará oposição no Congresso: parte dos bolsonaristas a recusa, considerando seu efeito insuficiente sobre as penas impostas a Bolsonaro e seus correligionários. O Planalto e o STF, por outro lado, já deixaram claro que não admitem qualquer medida que resulte, na prática, em clemência para o ex-presidente.